! Morales acusa Petrobras de operar ilegalmente no país - 11/05/2006 - Reuters - Economia
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11/05/2006 - 10h33
Morales acusa Petrobras de operar ilegalmente no país

VIENA (Reuters) - O presidente da Bolívia, Evo Morales, disse que "não há por que pensar em indenização" para as empresas petrolíferas afetadas por sua decisão de nacionalização. Ele acusou a Petrobras de operar ilegalmente na Bolívia.

"Não há por que pensar em indenização, se expropriássemos bens ou tecnologia, teríamos de indenizar, mas neste caso não estamos expropriando", disse Morales, em Viena (Áustria), onde participa de uma cúpula de líderes europeus e latino-americanos.

Em entrevista coletiva, ele disse que a Petrobras, que é a maior investidora estrangeira na Bolívia, estava operando de maneira "ilegal" e "insconstitucional" na Bolívia.

Uma porta-voz da Petrobras afirmou à Reuters nesta quinta-feira, no Rio de Janeiro, que a estatal brasileira não vai comentar as declarações de Morales. Ela informou que o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, deverá chegar ao Rio de Janeiro no início da tarde, vindo da Bolívia, mas que provavelmente não comentará o assunto.

"Já falamos com o presidente e ele não vai comentar", afirmou a porta-voz.

Na quarta-feira, a estatal de energia boliviana YPFB afirmou, em uma reunião com Gabrielli e o ministro de Minas e Energia brasileiro, Silas Rondeau, que a Bolívia iria indenizar a Petrobras pela expropriação parcial de duas refinarias de petróleo, preferivelmente pagando com gás natural.

Decisão

Morales afirmou não haver motivos para a Bolívia ter consultado outros países sobre a nacionalização.

"Não há razão para que eu devesse ter perguntado e consultado sobre as políticas soberanas de um país", afirmou, sobre rumores de que teria falado com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

Ele informou que escreveu ao líder de esquerda da Venezuela pedindo que reconsiderasse sua decisão de deixar a Comunidade Andina (CAN) de países da América do Sul.

Mas Morales também afirmou que havia escrito aos outros três membros da CAN, Peru, Equador e Colômbia encorajando-os a reconsiderar seus planos de acordos de livre comércio com os Estados Unidos -a causa de a Venezuela estar deixando o grupo.

Morales, que chegou ao poder apoiado em promessas de usar os recursos naturais da Bolívia para reduzir a pobreza no país, disse ainda que as petrolíferas estrangeiras tinham direito de reaver seus investimentos e lucrar com eles, mas não tinham direito à propriedade.

As esperanças de que o lançamento de negociações de comércio, investimentos e auxílio, há muito esperados, entre a União Européia e a CAN, pudesse ser acertado em Viena foram abatidas pelo anúncio da Venezuela de retirada da comunidade andina e pelo fato de a Bolívia afirmar que podia fazer o mesmo. (Por Jason Webb e William Schomberg)

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