! Fusão Sadia-Perdigão divide especialistas antitruste - 17/07/2006 - Reuters - Economia
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17/07/2006 - 17h42
Fusão Sadia-Perdigão divide especialistas antitruste

BRASÍLIA (Reuters) - Se os acionistas da Perdigão aceitarem a proposta de compra feita pela Sadia, o passo seguinte será conseguir o aval de autoridades antitruste ao negócio. Para especialistas, os órgãos de concorrência não terão um trabalho fácil, dado o amplo portfólio de produtos envolvido na operação.

A empresa combinada teria participação elevada em algumas categorias de alimentos no mercado interno. No segmento de pizzas congeladas, por exemplo, o market share chegaria a 60 por cento. A presença conjunta no setor de aves e suínos no país não ultrapassaria os 26 por cento da produção nacional, de acordo com a Sadia.

A lei determina que a união de companhias que tenham juntas faturamento acima de 400 milhões de reais por ano ou 20 por cento do mercado nacional submetam a operação ao sistema brasileiro de concorrência.

"Eu acho que essa fusão pode ter problema na aprovação, vai ser alguma coisa que vai ter que ser muito bem justificada", opinou o professor do Ibmec e ex-presidente da Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae), Claudio Considera.

"É capaz de ser uma situação muito parecida com Nestlé-Garoto, quando envolvia a líder do mercado e a segunda maior", acrescentou, referindo-se à guerra da multinacional suíça para manter a fabricante brasileira de cholocates.

A Sadia ofereceu 27,88 reais por cada ação da Perdigão, avaliando a empresa em cerca de 3,7 bilhões de reais. Os acionistas da Perdigão terão até 24 de outubro para tomar uma decisão e a oferta só será válida se aceita por detentores de 50 por cento mais uma das ações da Perdigão.

O sócio da Tendências Consultoria e ex-presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Gesner Oliveira, não ficou surpreso com a operação. "Há no mundo e no Brasil, em particular, uma tendência muito forte para a consolidação de vários setores, e a busca por escala é muito acentuada."

Na avaliação de Oliveira, é temerário fazer comparações com casos anteriores que passaram pelas autoridades antitruste.

"Eu diria que cerveja é diferente de chocolate, que é diferente de frango. Nesse estágio seria precipitado fazer qualquer previsão quanto a problemas concorrenciais."

MERCADO EXTERNO

A Sadia defende a aliança com a Perdigão alegando que isso irá "resultar em uma liderança global... com amplas condições de competir no mercado internacional".

O ex-secretário da Seae discorda. "Isso é o que todas alegam, isso é uma bobagem. Na verdade, você tem que ver os efeitos no mercado interno."

Já o ex-presidente do Cade tem visão diferente, por acreditar que o mercado externo também deve ser fruto de análise.

"São dois aspectos relevantes e interligados, ainda que a preocupação com concentração diga respeito a mercados domésticos. A união das duas empresas naturalmente gera uma empresa de um porte elevado, mas do ponto de vista mundial não há nenhuma concentração", afirmou.

Após a assinatura de um acordo de fusão, as empresas têm 15 dias para apresentar o negócio à Secretaria de Direito Econômico (SDE), ligada ao Ministério da Justiça.

A SDE e a Seae, vinculada à Fazenda, têm 60 dias para avaliar o negócio e emitir um parecer. Finalmente, então, a transação chega às mãos do Cade, que tem outros dois meses para tomar uma decisão. A autarquia pode impor restrições à fusão, rejeitá-la ou aprová-la de forma incondicional.

O diretor de Finanças da Sadia, Luiz Murat, disse em entrevista coletiva que a empresa seguirá "rigorosamente o que os órgãos determinarem e também o que determinar a lei".

(Por Cesar Bianconi)

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