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22/01/2007 - 14h35

Empresários e economistas avaliam o PAC

SÃO PAULO, 22 de janeiro (Reuters) - O governo anunciou nesta segunda-feira o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), conjunto de medidas que prevê investimentos públicos e privados de cerca de 500 bilhões de reais até 2010 para destravar a economia.

Veja a seguir comentários de empresários, economistas e líderes sindicais sobre as medidas:

Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp)
"Um programa com foco no crescimento é positivo. O discurso (do Lula) virou para o crescimento, o que é positivo. O projeto anunciado hoje é bastante amplo e alguns pontos dele foram na direção de sugestões dadas pela Fiesp. Esse projeto vai numa direção positiva, mas alguns pontos ainda precisam ser aprimorados, como o ponto da eliminação de desperdícios públicos. A princípio, não identificamos pontos negativos. O projeto tem coisas que podem acontecer (agora) e coisas que vão acontecer no futuro. Nós teremos que cobrar."

Paulo Godoy, presidente da Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib)
"O PAC da forma como foi concebido certamente vai ajudar e o Brasil será outro se ele for implementado... O que esperávamos na área de infra-estrutura foi tudo contemplado, com raras exceções. Não tivemos surpresas nem muito para cima nem muito para baixo."

Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical
"O plano é positivo, mas é um pouco tímido, não vai conseguir alcançar a taxa de crescimento que o governo quer, de 5%. Os pontos positivos são, principalmente, a desoneração, apesar de ainda ser muito pequena, e os investimentos, que agora precisamos ver se vão sair do papel. Concordamos com as medidas salariais em relação ao salário mínimo, porque elas foram acertadas com as centrais sindicais e também concordamos com as medidas para os salários do funcionalismo público.
O que esperávamos era que fosse anunciada hoje a reforma tributária."

Armando Monteiro, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI)
Na área fiscal é preciso aprofundar as medidas sob pena de o programa poder perder a consistência ao longo do tempo. No entanto, o pacote é benigno, é bem-vindo e as medidas estão na direção correta."

Rogério Golfarb, presididente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea)
"Eu não sou cético, acho que essas medidas têm tudo para acontecer. O governo está utilizando oportunidade fiscal resultante da redução da taxa de juros."

Silvia Maria Calou, diretora-executiva da Associação Brasileira das Concessionárias de Energia Elétrica (ABCE)
"As medidas são bem-vindas, sobretudo na área ambiental, com a regulamentação do artigo 23 (que define a competência de Estados, municípios e União sobre proteção ao meio ambiente). Como esse tema estava meio obscuro, vinha gerando muita discussão judicial. Essa era uma reivindicação antiga do setor. A isenção de PIS e Cofins sobre investimentos também é positiva. Qualquer medida que desonere é boa, porque hoje a carga tributária média nas tarifas de energia é de 50 por cento."

Jason Vieira, economista-chefe, Máxima DTVM
"Não pode nem dizer que foram (medidas) ambiciosas, são necessárias, mas me pergunto de onde vão sair esses recursos. Quando fala em desoneração de alguns impostos, redução de superávit primário e não fala de um déficit nominal zero, ou superávit mais consistentes, não fala de reformas, você transfere para o Legislativo boa parte da necessidade de aprovação dessas reformas... Não vi nenhuma medida efetiva de longo prazo, não me passou essa solidez, 2010 para mim é curto prazo.

Luiz Antônio Vaz das Neves, diretor, Corretora Planner
"Surpresa não tem, mas precisava que o governo fizesse essa sinalização. Ela é importante. Eu gosto muito da idéia desse pacote... principalmente no que diz respeito à energia elétrica."

Silvio Campos Neto, economista-chefe, Banco Schahin
"Por enquanto está dentro do esperado do que tinha sido avisado, sem maiores novidades. (As medidas anunciadas) não resolvem questões estruturais, citaram brevemente marco regulatório, reformas, e não entraram em detalhes. Esses são os pontos que vão interessar daqui para frente. São medidas de curto prazo e as questões estruturais que fariam diferença ainda são incertas."

Ivair Rodrigues, diretor de pesquisas da IT Data
"A medida do governo (de ampliar o preço de computadores isentos de PIS e Cofins) permite a inclusão digital de microempresas. Empresários poderão trocar equipamentos defasados e comprar servidores. Sobre os incentivos à indústria de semicondutores, é preciso mais detalhes sobre as regras, como quais serão os deveres e as obrigações das empresas. Para se colocar uma indústria dessa no país é preciso um ecossistema. Perdemos o rumo da história na década dos anos 1980 para os asiáticos."

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