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11/09/2007 - 13h33

Biocombustíveis podem ser remédio pior que doença, diz OCDE

Por Sybille de La Hamaide

PARIS (Reuters) - Os biocombustíveis, festejados por reduzir a dependência energética, aumentar a receita agrícola e ajudar a combater as alterações no clima, na verdade podem acabar sendo prejudiciais ao meio ambiente e encarecendo os alimentos, indicou um estudo da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).

No relatório sobre o impacto dos biocombustíveis, divulgado nesta terça-feira, a OCDE disse que eles podem "promover uma cura pior que a doença que tentam tratar".

A afirmação da OCDE de que os biocombustíveis podem ser um remédio pior que doença vai na contramão de medidas recentes tomadas por alguns de seus membros. O Reino Unido, por exemplo, anunciou a meta de dedicar entre 15% e 20% da sua terra agrícola à produção desse tipo de combustível. A Suécia firmou hoje um acordo com o Brasil para promover o uso da bioenergia e criar um mercado mundial para o setor. Em visita ao país nórdico, o presidente Lula publicou artigo em jornal local defendendo a produção de carros ecológicos
NA CONTRAMÃO
BIOCOMBUSTÍVEL INGLÊS
SUÉCIA PROMOVE BIOENERGIA
LULA DEFENDE 'CARRO VERDE'
"A pressão atual para ampliar o uso de biocombustíveis está criando tensões insustentáveis que vão abalar os mercados sem gerar benefícios ambientais significativos", disse a OCDE.

"Quando se levam em conta a acidificação, o uso de fertilizantes, a perda de biodiversidade e a toxicidade dos pesticidas agrícolas, o impacto geral do etanol e do biodiesel sobre o meio ambiente podem superar fácil os do petróleo e do diesel mineral", afirmou a organização.

Dessa forma, a OCDE pediu aos governos que cortem os subsídios para o setor e que incentivem as pesquisas para encontrar tecnologias que evitem a concorrência pela terra usada para a produção de alimentos.

Para a OCDE, os incentivos fiscais adotados em muitas regiões, como na União Européia e nos EUA, podem esconder outros objetivos, como proteger a agricultura da abertura comercial.

A organização orientou os membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) a aumentar os esforços a fim de reduzir as barreiras às importações de biocombustíveis, para permitir a entrada de países em desenvolvimento que têm sistemas ecológicos e climáticos mais adequados à sua produção.

O etanol não está sozinho na corrida por energias alternativas usadas em automóveis. A Mercedes-Benz prometeu lançar daqui a três anos um carro elétrico que emite apenas vapor d'água. A Fiat aposta no novo modelo chamado Panda Ária, considerado pelos diretores da empresa como um "manifesto ecológico"
CONCORRENTE DO ETANOL
MERCEDES ELÉTRICO
FIAT ECOLÓGICO
Também aconselhou os governos a tentar reduzir a demanda por combustível nos transportes, em vez de incentivar a produção dos chamados combustíveis "verdes".

"Um litro de gasolina ou diesel conservado porque uma pessoa caminha, anda de bicicleta, pega carona ou ajusta o motor de seu carro muitas vezes é um litro de gasolina ou diesel economizado a um custo muito menor que subsidiar novas fontes ineficientes", disse o texto.

Os biocombustíveis, fabricados principalmente a partir de grãos, sementes e açúcar, vêm sendo responsabilizados pelo aumento nos preços dos commodities, junto com outros fatores como a menor produção.

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