! Bradesco lança Finabens e abandona marca Zogbi - 06/09/2004 - Valor Online
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06/09/2004 - 12h47
Bradesco lança Finabens e abandona marca Zogbi

Raquel Balarin | Valor Econômico



SÃO PAULO - O Bradesco está lançando uma nova marca para o financiamento de bens e serviços, a Finabens. A decisão faz parte de um pacote de medidas para a área de crédito ao consumo, que inclui a união das marcas Finasa e Zogbi sob a bandeira Finasa. A mudança nos pontos de atendimento teve início este mês e deve ser concluída até o fim de setembro. No fim do ano, a marca Zogbi será abandonada.

"A compra do Banco Zogbi, em dezembro do ano passado, veio complementar nossas operações de financiamento ao consumo. Poderíamos usar a marca até junho de 2006, mas resolvemos antecipar a união porque esse é um segmento em que podemos ter muito ganho de escala", afirma Paulo Ísola, diretor executivo do Bradesco. Segundo ele, a marca Finasa será usada para o crédito pessoal e de automóveis, enquanto a Finabens será destinada ao financiamento de bens e serviços. "Na compra de um produto eletroeletrônico, por exemplo, a marca do financiamento não é tão importante quanto no crédito pessoal. O importante é conquistar pontos de venda. Quisemos diferenciar essa atividade", explica.

O financiamento de bens e serviços representa hoje 5% da carteira de crédito da Finasa (já incluídos os dados da Zogbi), que em 30 de agosto atingiu R$ 7 bilhões. A expectativa, segundo Ísola, é alcançar 20% em um ano. Para o diretor executivo do Bradesco, o segmento de atuação da nova Finabens é estratégico porque traz grande volume de clientes e permite a fidelização. "Para esse grupo, podemos oferecer outros produtos financeiros, inclusive conta corrente, além de melhorar nossa análise de crédito. Quando o cliente é correntista e não tem financiamento, não há como avaliarmos o comportamento dele no crédito", diz Ísola. A carteira de crédito ao consumo do Bradesco cresceu 20% no primeiro semestre e deve chegar ao fim do ano com uma expansão entre 29% e 30%, levando-se em conta o efeito sazonal das festas de fim de ano. Embora tenha um peso menor na carteira, a área de financiamento de bens e de crédito pessoal deve ter um crescimento ainda maior, de 50%.

Com a integração entre Zogbi e Finasa, a financeira do Bradesco passará a ter 121 filiais, espalhadas em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná, e 28,7 mil pontos de venda no varejo. A estratégia do banco é agora concentrar a expansão orgânica em outras áreas do país, como Sul e Centro-Oeste, segundo Décio Tenerello, vice-presidente do banco.

"As aquisições seguem sendo uma oportunidade de crescimento para a área de financiamento ao consumo, mas há cada vez menos oportunidades. Por isso, definimos uma estratégia de crescimento orgânico em regiões onde ainda não temos atividades, aproveitando a capilaridade do Bradesco", explica Tenerello. Segundo ele, o banco também quer expandir operações via acordos operacionais com o varejo, mas não tem como estratégia, pelo menos por enquanto, a criação de estruturas societárias em separado, como fizeram recentemente Itaú com Pão de Açúcar e Unibanco com Sonae.

Na esfera macroeconômica, o Bradesco avalia que uma possível alta do juro básico pode ter um impacto negativo no mercado pelo fator psicológico, embora interfira de modo pouco significativo na taxa cobrada na ponta final. "A sinalização para o consumidor de um possível aumento do juro não é boa, mas não acreditamos que isso terá grande interferência nos volumes de crédito ao consumo previstos até o fim do ano", afirma Ísola.