! J.C. Penney quer vender todo o capital da Lojas Renner na bolsa - 10/05/2005 - Valor Online
UOL EconomiaUOL Economia
UOL BUSCA


Últimas Notícias


10/05/2005 - 09h16
J.C. Penney quer vender todo o capital da Lojas Renner na bolsa

SÃO PAULO - O grupo americano de varejo J.C. Penney resolveu vender todo o capital da Lojas Renner em uma oferta pública de ações e sair do negócio. A operação é inédita no mercado brasileiro. Pela primeira vez, uma companhia privada poderá ter seu controle vendido em uma oferta pulverizada em bolsa.

A J.C. Penney detém 98% do capital total da Renner, entre ações preferenciais e ordinárias. As ações preferenciais serão convertidas em ordinárias, que serão oferecidas aos investidores. Com isso, a Lojas Renner passará a ser listada no Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo. O pedido de registro da operação foi encaminhado ontem à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Existe a possibilidade de a J.C. Penney vender apenas uma parte da empresa, mas, segundo fontes qualificadas, a preferência é pela venda total. Tudo vai depender da receptividade dos investidores e das condições do mercado.

A operação poderá girar em torno de R$ 1 bilhão, segundo estimativas iniciais. A Lojas Americanas atualmente é negociada na bolsa a um múltiplo de quase dez vezes o seu lajida (lucro antes do pagamento de juros, impostos, depreciação e amortização) de 2005.

Se a Renner for vendida a múltiplo semelhante, se chegaria à cifra de R$ 1 bilhão. No ano passado, o lajida da varejista com sede em Porto Alegre foi de R$ 107,5 milhões, depois de crescer 11,3% em relação a 2003. Desde 2000, o lajida da companhia tem crescido a uma taxa anual de 7% a 8%.

Além da oferta das ações existentes também haverá um aumento de capital para reforçar o caixa da Lojas Renner. A operação será liderada pelo Credit Suisse First Boston (CSFB).

A atual diretoria da companhia será mantida, com o presidente José Galló à frente. Os executivos fecharam um pacote de incentivos de longo prazo para permanecerem no comando. Entre os benefícios, os executivos receberão opções de ações da varejista para exercerem no longo prazo. Além disso, será formado um conselho com membros independentes.

O bom momento para ofertas públicas de ações de empresas brasileiras tem feito com que esse modelo de operação substitua, em muitos casos, vendas privadas a um comprador estratégico. O caso da Lojas Renner será emblemático dessa tendência. Até agora, o que se via eram operações em que o controlador ou investidor financeiro usava a bolsa para sair parcialmente do negócio. Pela primeira vez, trata-se de uma saída integral.

Segundo fontes do setor, a C & A, maior rede de lojas de departamento de vestuário no Brasil, chegou a analisar a aquisição da Renner e sentou-se à mesa de negociação. A saída da J.C. Penney, que comprou a Renner em dezembro de 1998, não é uma surpresa. Circulavam no mercado rumores sobre a possível venda da rede com sede em Porto Alegre e cujas vendas brutas totalizaram R$ 1,289 bilhão em 2004.

Outras varejistas que vieram ao país na mesma época, no tempos áureos do Plano Real, já deixaram o país, à medida que não se concretizaram as previsões de crescimento da renda e do PIB. O grupo português Jerónimo Martins vendeu a rede de supermercados Sé para o Pão de Açúcar. A holandesa Royal Ahold, que instalou-se na região Nordeste, vendeu no ano passado a rede de supermercados Bompreço para o Wal-Mart e a rede G. Barbosa para o fundo investimento Acon.

A valorização do real aliviou os custos financeiros da Renner. A subsidiária contabilizava um investimento feito pela J. C. Penney como um financiamento em dólar contraído junto à matriz, o que era o principal item no seu passivo financeiro. A Renner divulgou que no primeiro trimestre deste ano encerrou a amortização do ágio, originado de incorporação de empresa do grupo em 1999. A Renner registrou um lucro líquido de R$ 2,5 milhões nos primeiro três meses de 2005. Em igual período do ano passado, o prejuízo foi de R$ 6,6 milhões.

(Vanessa Adachi e Cláudia Facchini | Valor Econômico)