! Brasileiro é mais comportado no uso da rede da empresa, diz pesquisa - 10/08/2005 - Valor Online
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10/08/2005 - 17h13
Brasileiro é mais comportado no uso da rede da empresa, diz pesquisa

SÃO PAULO _ A companhia americana Websense, que fornece sistemas de gerenciamento da internet para empresas, encomendou a primeira pesquisa do grupo sobre o uso da internet no local de trabalho que compreende a região de América Latina e Ásia/Pacífico. Segundo o estudo, o brasileiro é mais comportado que o empregado de uma série de outros países quando se trata de usar a rede da empresa para uso pessoal.

A pesquisa Web@Work é realizada há seis anos pela Websense, que utiliza dados levantados pela Dynamic Markets Limited. Presente no país desde 1999, a companhia americana, entretanto, não dispunha de dados da amostra no Brasil ou em regiões de grandes crescimento da internet nos últimos anos, como a Ásia. Por isso, decidiu começar esse ano um esforço que pretende que seja anual, a exemplo do estudo que engloba Estados Unidos e Europa, segundo Adauto de Mello Júnior, diretor de vendas da companhia para a América Latina.

Esta edição da pesquisa ouviu 400 empregados e 400 gerentes de tecnologia de empresas de diversos segmentos em oito países (100 pessoas por país): Brasil, Austrália, Chile, China, Colômbia, Hong Kong, Índia e México.

No quesito uso do tempo de trabalho para consultas a sites ou serviços de uso pessoal, por exemplo, 72% dos brasileiros admitem gastar "algum" tempo em atividades não ligadas a trabalho, mas o número de horas admitido é de 2,1 por semana. Nos Estados Unidos, por exemplo, o tempo médio admitido pelos funcionários para essas atividades é de 3,4 horas por semana.

O número detectado no Brasil também é menor que a média dos oito países entrevistados na pesquisa, que foi de mais de quatro horas por semana. China, Índia e Colômbia também admitem gastar mais tempo que o brasileiro em páginas ou serviços não relacionados a trabalho.

Quando questionados sobre acesso a sites de pornografia no horário de trabalho, 4% dos brasileiros admite acessar tais sites, "por acidente ou intencionalmente", já que alguns sites chegam ao e-mail do usuário de forma disfarçada, explica Mello Júnior. No Chile, por exemplo, esse número sobe para 30%, enquanto na Colômbia é de 18%, mesmo índice apurado no México, mostra a pesquisa.

Os funcionários são convidados a responder a pesquisa, mas não precisam se identificar nem indicar seu cargo na companhia. A Websense diz garantir o sigilo tanto do empregado quanto do gerente.

Questionados se abririam mão do tempo de café para acessar a internet por mais tempo, o brasileiro, por sua vez, se mostrou menos empolgado que internautas de outros países. Um total de 35% dos brasileiros ouvidos no estudo abriria mão do café para ficar mais tempo na web, enquanto na Colômbia o número é de 64% deles e, nos Estados Unidos, 52%.

A Websense desenvolve sistemas que ajudam as companhias a monitorar a navegação de seus empregados e medir sua produtividade. Algumas determinam filtros a determinados sites ou serviços (como troca de mensagens instantâneas, por exemplo), "mas muitos dos nossos clientes não colocam nenhum filtro, só querem ter acesso aos relatórios periódicos para acompanhar cada empregado", diz Mello Júnior.

Segundo ele, é sintomático se, no final do mês, por exemplo, cresce o acesso a sites de busca de emprego na companhia. Pelos relatórios, também é possível acompanhar se, em determinado momento, a busca por sites de ajuda a viciados ganha peso nas navegações. "É uma forma de perceber os problemas antes que eles aconteçam", aponta o executivo.

(Taís Fuoco | Valor Online)