! Grupo Pão de Açúcar implementa programa para reduzir custos - 27/10/2005 - Valor Online
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27/10/2005 - 15h30
Grupo Pão de Açúcar implementa programa para reduzir custos

SÃO PAULO - O grupo Pão de Açúcar iniciou um complexo plano de corte de custos que poderá resultar no enxugamento do quadro de funcionários. Conhecida como Orçamento Base Zero (OBZ), a ferramenta de gestão, que vem sendo implementada pelo Pão de Açúcar, é amplamente utilizada pela AmBev, famosa por seu modelo gerencial agressivo e totalmente focado em resultados.

O ambiente cada vez mais competitivo no setor e as sucessivas quedas nas vendas do varejo - que não estão restritas apenas ao Pâo de Açúcar - obrigam o grupo a tomar medidas mais drásticas de redução de despesas.

No mercado, porém, a implantação do programa vem alimentando uma onda de nervosismo e especulações. Internamente, o clima também é de insegurança. Algo que foi agravado com a saída de Augusto Cruz da presidência em junho passado. O Pão de Açúcar nega qualquer plano de demissão de funcionários. O Orçamento Base Zero é um plano de controle de custos complexo. Em uma entrevista concedida ao Valor há algumas semanas, Enéas Pestana, diretor administrativo do Pão de Açúcar, explicou que a idéia é construir todos os anos o orçamento a partir do zero, do chão, eliminando assim o contágio de estruturas que estejam infladas ou inchadas. A nova forma de cálculo visa deixar a empresa mais eficiente.

As demissões não são o foco ou o objetivo do OBZ, disse Pestana, que já participou da implementação desse programa em outras empresas, incluindo a própria AmBev. Por enquanto, os executivos do Pão de Açúcar não chegaram ainda a uma conclusão de como o programa mudará a empresa. No entanto, assim como todo plano de ajustes de custos, a eliminação de cargos e vagas é uma conseqüência óbvia.

Desde a saída de Cruz, a maior varejista do país ainda não tem um novo executivo. Quem dá as cartas é Abílio Diniz. " Desde o acordo com o sócio francês Casino (em maio), Abílio assumiu a posição de principal executivo " , diz fonte próxima ao grupo.

Uma outra fonte do setor diz que internamente há uma forte cobrança para a reversão da queda de vendas. Executivos da indústria reclamam que a pressão - a conhecida queda de braço entre fornecedores e varejo - está ainda pior.

" Eles estão apertando cada vez mais os contratos de fornecimento " , afirma um empresário da indústria. Para vender para as grandes redes de supermercados, os fabricantes pagam uma espécie de " pedágio " .

A adoção de um modelo " a la AmBev " em princípio significa que não seriam poupados empregos em nenhum escalão, nem mesmo no de altos executivos da companhia. Uma fonte diz que a empresa estaria considerando unir diretorias para racionalizar os cargos. O grupo é considerado um dos que oferecem os mais altos salários do varejo - e não apenas para o corpo administrativo, que fica na matriz, como também para os diretores de loja.

No Pão de Açúcar, os diretores executivos dividem todos uma mesma sala, sem divisórias, junto com Abilio Diniz.

De acordo com uma fonte, a companhia tem procurado minimizar o impacto da implantação do Orçamento Base Zero e está desligando funcionários gradualmente, a cada mês.

O Pão de Açúcar enfrenta há alguns anos pressões e críticas dos investidores por apresentar uma folha de pagamento mais pesada do que os seus concorrentes. A empresa, porém, sempre recusou ser taxada de " inchada " . Ao lado do Bradesco, o Pão de Açúcar é um dos maiores empregadores de capital privado do país, com 63,5 mil funcionários.

No segundo trimestre, as vendas nas mesmas lojas caíram 6,6% em termos reais. No terceiro trimestre, a redução foi de 6,1% quando deflacionadas pelo IPCA, segundo relatório de vendas. O balanço financeiro relativo do terceiro trimestre será divulgado no próximo dia 7 de novembro.

Os analistas prevêem um terceiro trimestre ainda mais difícil diante do cenário de maior concorrência nos supermercados. Segundo estimativa do Credit Suisse First Boston, o lucro líquido deve cair 63,1% no período. A Merrill Lynch prevê uma queda de 55,5% no resultado líquido.

(Christiane Martinez, Claudia Fachini e Daniela D ? Ambrosio | Valor Econômico)