! Lloyds TSB Bank volta ao Brasil - 26/01/2006 - Valor Online
UOL EconomiaUOL Economia
UOL BUSCA


Últimas Notícias


26/01/2006 - 12h16
Lloyds TSB Bank volta ao Brasil

SÃO PAULO - O Lloyds Bank TSB está de volta ao Brasil. O quinto maior banco britânico em ativos havia saído do país em 2003, ao vender as cobiçadas operações locais, que valiam aproximadamente 335 milhões de libras - o equivalente a US$ 550 milhões pela cotação média do ano, para o também britânico HSBC.

O Lloyds TSB vai renascer bem mais enxuto. Quando saiu, era o 12º maior banco privado do mercado e 7º estrangeiro, com ativos totais de R$ 5,4 bilhões. Agora, recomeçará com um escritório de representação, cuja abertura foi aprovada em 9 de janeiro pelo Banco Central (BC).

Procurado pelo Valor, o Lloyds TSB Bank enviou um comunicado confirmando que já está tomando providências para abrir o escritório de representação.

" Nós não vamos nos aventurar no varejo financeiro novamente, mas uma das áreas em que pretendemos atuar é no atendimento aos exportadores brasileiros com financiamento offshore ao comércio exterior " , disse o Lloyds TSB.

O financiamento ao comércio exterior sempre foi um ponto forte da área de atacado do Lloyds TSB, mesmo quando operava no Brasil. No ano passado, o atacado e operações internacionais deram um resultado bruto de 662 milhões de libras (US$ 1,2 bilhão) no primeiro semestre, 38% do lucro total antes dos impostos do banco e equivalente a 80% do obtido com nas operações de varejo.

Na onda da evasão dos investidores estrangeiros da América Latina que se seguiu à moratória Argentina, em 2001, e à nervosa instabilidade dos mercados antes da eleição de Lula, o banco britânico resolveu reduzir a exposição na região para agradar os investidores.

O Lloyds TSB é um dos bancos estrangeiros que há mais tempo atuava na América Latina. A ligação com a região data de 1918, com a compra do London and River Plate Bank, posteriormente fundido com o London and Brazil Bank, que resultou no Bank of London and South America (Bolsa). Em 1971, o Lloyds comprou o controle do Bolsa e o fundiu com o Lloyds Bank Europe, formando o Lloyds and Bolsa International Bank, cujo nome mudou para Lloyds Bank International em 1974 e foi fundido no Lloyds Bank em 1986.

Mas o banco deu partida a uma substancial reestruturação das operações internacionais, especialmente na América Latina. Os negócios no Brasil foram dos mais disputados. Um verdadeiro leilão acabou acontecendo. Estavam de olho Bradesco, Itaú, Unibanco, ABN AMRO e Citibank, além do HSBC. O principal alvo da cobiça era a financeira Losango, então com 14 milhões de clientes, 16 mil pontos de venda e uma carteira de R$ 2 bilhões, que já dobrou sob o comando do HSBC.

O HSBC pagou US$ 815 milhões pelo Lloyds, 2,7 vezes o patrimônio explícito. Somente a Losango e o Lloyds TSB no Brasil custaram US$ 451 milhões. O HSBC também assumiu os ativos e passivos, excluindo o capital, da filial brasileira do Lloyds TSB, pelos quais pagou R$ 410 milhões, equivalentes a US$ 144 milhões, representando a diferença líquida entre as duas contas.

Além disso, o HSBC concordou em adquirir ativos de empréstimos externos concedidos ao Brasil por US$ 220 milhões e também alguns empréstimos intragrupo concedidos pelo Lloyds para as operações no Brasil. No total, os ativos das companhias adquiridas somam US$ 2,7 bilhões.

Ainda em 2003, o Lloyds TSB também vendeu a administradora de fundos na França e o National Bank of New Zealand - nesses mercados, o banco imaginava não conseguir montar uma operação com vantagens competitivas.

No ano seguinte, foram vendidos os negócios na Argentina, Colômbia, Guatemala, Honduras e Panamá. Mas, nas Américas, o banco continuou com escritórios no Equador, Paraguai e Uruguai, que oferecem basicamente serviços bancários a grandes empresas, além do private banking e investimentos nos Estados Unidos.

No exterior, possui bancos em Hong Kong, Cingapura, Japão, Malásia, Emirados Árabes Unidos e em alguns países europeus.

(Maria Christina Carvalho | Valor Econômico)