! Bancos disputam a Amex no Brasil - 24/02/2006 - Valor Online
UOL EconomiaUOL Economia
UOL BUSCA


Últimas Notícias


24/02/2006 - 13h28
Bancos disputam a Amex no Brasil

SÃO PAULO - O Bradesco está negociando com exclusividade a aquisição das operações de cartão da American Express no Brasil. A instituição ganhou o que chamam de " right of first refusal " no processo de venda coordenado pelo banco de investimentos Goldman Sachs. Para o Bradesco, a aquisição tem um valor estratégico maior do que para outros bancos. A instituição ficou para trás na emissão de cartões depois da cisão da Credicard. O Itaú superou a marca de 11 milhões de plásticos e o Bradesco está perto de 8 milhões. Apesar de o Bradesco ter o direito de negociar sozinho, porém, outras instituições têm tentado interferir no processo, inclusive com ofertas maiores.

Para Alexandre Umberti, da Ibope Inteligência, que acompanha o mercado de cartões, o principal problema da Amex é que a empresa não conseguiu acompanhar a evolução do mercado brasileiro. " Enquanto o seguimento crescia a taxas de dois dígitos, a Amex crescia bem menos " . Assim, sua base de cartões ficou estagnada e a bandeira foi perdendo espaço.

A Amex chegou a ter 10% do total de cartões do mercado brasileiro. Hoje, não passa dos 2%. Em faturamento a fatia é maior, na casa dos 10%, pois o gasto médio por cartão da bandeira é mais de três vezes superior a média nacional.

Antes da negociação de venda das operações, a Amex chegou a ter conversas com o Unibanco, que tinha interesse em fazer uma associação. A American Express passaria a ser parceira do Unibanco. O desenho do negócio com o Bradesco é diferente. A Amex sai do país e vende sua base para o Bradesco, que passa a ser o principal emissor da bandeira. Um concorrente destacou que um dos complicadores no processo de venda das operações da Amex são os três outros emissores de seus cartões, principalmente o HSBC. " É preciso saber se o HSBC terá de deixar de emitir Amex, por exemplo " , disse.

A Amex tentou, sem sucesso, nos últimos anos reduzir sua imagem de " elitista " e atrair clientes de menor renda. Lançou cartão sem anuidade e com crédito rotativo e criou em 2002 a campanha " Cadê o Sergio " para mostrar que pessoas " comuns " podem ter o plástico da marca. " Não há como crescer mais na alta renda, onde há cerca de três cartões por pessoa. Nesta faixa, o desafio é fazer com que as pessoas usem mais os plásticos que têm " , diz uma fonte.

A decisão de vender a Amex veio da matriz, nos Estados Unidos, descontente com os resultados fracos daqui. A bandeira está em 52 países, dos quais o Brasil é o décimo colocado em faturamento.

(Valor Econômico)