! Empresas questionam viabilidade de implantar multiprogramação na TV aberta sem financiamento - 03/08/2006 - Valor Online
UOL EconomiaUOL Economia
UOL BUSCA


Últimas Notícias


03/08/2006 - 17h50
Empresas questionam viabilidade de implantar multiprogramação na TV aberta sem financiamento

SÃO PAULO - A multiprogramação para as emissoras de TV aberta, prevista no modelo de TV digital divulgado pelo governo federal, encontra uma dificuldade: o financiamento para a produção de tanto conteúdo. A questão é quase unânime entre emissoras, programadores e governo e ficou evidenciada em debate no Congresso ABTA 2006.

A Organizações Globo, por exemplo, já descartou a possibilidade de criar quatro canais de programação na TV aberta, como permite a regra, a partir somente da receita publicitária. "A verba publicitária já está esticadíssima", disse Francisco Araújo Lima, diretor de relações institucionais da companhia.

Por isso, ele afirmou, em debate no congresso, que a Globo não fará multiprogramação e "pretende explorar o potencial da alta definição e da portabilidade" na TV digital aberta. O grupo Globo, disse ele, "já faz multiprogramação para a TV paga, através dos canais da Globosat".

André Barbosa, assessor especial da Casa Civil, ressaltou, no entanto, que "a multiprogramação tem de ser gratuita, mas não é obrigatória". Ele admite que a falta de financiamento para a produção de conteúdo é um desafio que terá de ser discutido por todo o segmento. "No caso das emissoras públicas, o governo fará um esforço para que elas tenham (a multiprogramação)", mas as demais emissoras poderão escolher.

Francisco Valim, presidente da Net Serviços, também afirmou não acreditar na viabilidade da multiprogramação em TV aberta - que em tese poderia ser uma concorrência à TV paga - pela dificuldade em financiar a produção de conteúdo. "Hoje não falta canal para a produção de conteúdo e, sim, financiamento", reiterou.

Os recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust), acumulados em quase R$ 5 bilhões e até hoje nunca usados, também não podem ser aplicados a este fim. O ministro das Comunicações, Hélio Costa, lembrou ontem, no mesmo seminário, que "lamentavelmente a Lei Geral de Telecomunicações (LGT) não previa sequer a banda larga, e só o serviço de telefonia fixa" para o uso desses recursos. Por isso, a lei teria de ser alterada para incluir novos destinos ao dinheiro e isso só o Congresso Nacional pode fazer. "Tem de mudar a lei, mas para isso o Congresso tem de ser sensibilizado", concordou Barbosa.

(Taís Fuoco | Valor Online)