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29/09/2006 - 14h53

EADS se reúne hoje para avaliar atrasos da Airbus no A380 e discutir plano de reestruturação

SÃO PAULO - O conselho de administração da European Aeronautic Defence and Space (EADS), controladora da Airbus, se reúne hoje para avaliar novos atrasos no programa do superjumbo A380. Além disso, o encontro servirá para discutir a possível adoção de um plano de reestruturação profundo na companhia. O projeto do A380 já acumula atrasos de mais de um ano atrás em relação ao cronograma inicial.

Na semana passada, a empresa anunciou que iria atrasar pela terceira vez as entregas das aeronaves. Não divulgou porém, um novo cronograma para o projeto.

Os sucessivos atrasos no programa A380 já custaram o cargo a dois altos executivos da companhia, o executivo-chefe da Airbus e um co-executivo-chefe da EADS, demitidos neste ano. A empresa enfrenta dificuldades na instalação do cabeamento interno do avião. Quando completado, o A380 será a maior aeronave comercial de passageiros do mundo, com capacidade para transportar até 850 passageiros.

Com os atrasos, a Airbus perdeu muito de sua credibilidade e irritou as companhias que já adquiriram o avião. Algumas delas, inclusive, já afirmaram que o cancelamento das compras é uma opção que não pode ser descartada.

De acordo com informações da EADS, a reunião de hoje não necessariamente vai definir um novo cronograma de entregas do A380. Durante o encontro, porém, pode ser adotado um plano de reestruturação para resgatar a competitividade da empresa. Alguns sindicatos de trabalhadores da empresa, inclusive, já temem o anúncio de demissões. Já em julho, o novo executivo-chefe da companhia havia anunciado o congelamento de novas admissões.

Além disso, a empresa pode discutir mudanças na localização de suas fábricas de peças e componentes. Elas podem ser enviadas para fora da Europa, a países com a economia influenciada mais pelo dólar do que pelo euro. Isso permitiria que a Airbus aproveitasse os benefícios da cotação baixa da moeda norte-americana frente à européia.

Outra alternativa seria concentrar a produção de componentes e peças de cada modelo em apenas uma unidade da empresa. Hoje a Airbus produz partes de seus aviões em vários países diferentes. Caso essa medida seja adotada, o acabamento da cabine do A380 seria deslocado da Alemanha para a França, onde a fuselagem do avião já é montada. Em contrapartida, a fabricação do modelo de um corredor A320 seria transferida totalmente para a Alemanha.

A EADS não emitiu qualquer comentário sobre essas possibilidades.

O atraso da semana passada na produção do jato, a terceira desde seu início, vai reduzir em 2 bilhões de euros o lucro líquido da Airbus neste ano. Pior que isso, a concorrente norte-americana Boeing está roubando clientes da Airbus no segmento de jatos de tamanho médio com seus modelos 777 e 787 Dreamliner (que entra em serviço em 2008).

Para tentar estancar essa fuga de clientes, a Airbus foi obrigada a promover uma dispendiosa revisão em seu projeto A350. O modelo teve de ser modificado por ter recebido muitas críticas de empresas aéreas de que era muito pouco eficiente no uso de combustível para um avião de seu tamanho, especialmente se comparado com os modelos da rival dos EUA.

(José Sergio Osse | Valor Online, com agências internacionais)

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