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05/10/2006 - 15h42

Depois do A380, EADS pode enfrentar problemas em outros dois projetos

SÃO PAULO - Como não bastassem os problemas decorrentes de atrasos no programa do superjumbo A380, agora a EADS terá de lidar com dúvidas do mercado acerca de dois outros de seus projetos.

Pela primeira vez, a EADS (sigla para European Aeronautic Defence and Space) alertou que as dificuldades no programa A380 da sua subsidiária Airbus pode afetar o desenvolvimento de outros projetos. Um deles seria o jato de passageiros de médio porte A350, que é uma das apostas da Airbus para se manter competitiva nos próximos anos.

Esse programa já foi motivo de dor de cabeça para a companhia antes. Segundo os clientes da Airbus, para um avião de seu tamanho, o A350 era muito pouco espaçoso e ineficiente no uso de combustível. Especialmente se comparado com o 787 Dreamliner, da concorrente norte-americana Boeing, seu principal concorrente. Às pressas, a Airbus foi obrigada, ao custo de algumas centenas de milhões de euros, redesenhar completamente a aeronave para torna-la mais competitiva.

Exatamente por conta disso, e dos sucessivos anúncios de atrasos no programa do superjumbo, o mercado agora duvida da capacidade de a Airbus manter o programa do A350 no prazo.

Apesar de tanto o 787 quanto o A350 ainda nem terem saído do papel, Boeing e Airbus disputam milímetro a milímetro esse mercado de aviões de porte médio. Apesar da visibilidade garantida pelo A380 ao segmento de grandes aviões, é no mercado de aeronaves médias que há mais espaço para negócios tanto para a companhia européia quanto para a norte-americana. Esse segmento representa cerca de 40% do mercado total de jatos de passageiros no mundo.

Segundo o co-executivo-chefe da EADS, Thomas Enders, o A350 é prioridade para a empresa. O programa, diz, deve ser levado adiante mesmo que esteja com 3 anos de defasagem, em termos de desenvolvimento, em relação ao 787.

Enders afirma que a EADS deve levar pelo menos dez anos para voltar ao mesmo patamar de eficiência e desenvolvimento hoje ocupado pela Boeing.

A outra dúvida que paira sobre a EADS diz respeito a um de seus programas militares, o de desenvolvimento do A400M, um avião de transporte de tropas.

Segundo o próprio executivo-chefe da EADS, Christian Streiff, o programa do A400M está "no limite". Apesar de ainda estar dentro do cronograma definido, não há mais tempo de sobra para enfrentar qualquer dificuldade no projeto, disse o executivo.

(José Sergio Osse | Valor Online, com agências internacionais)

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