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06/10/2006 - 12h25

Embraer avalia como pequeno o impacto dos atrasos em entregas de jatos dos modelos 190 e 195

SÃO PAULO - O presidente da Embraer, Maurício Botelho, afirmou hoje que os atrasos na produção dos jatos EMB 190 e 195 não vão afetar significativamente as atividades da companhia. Confirmou, porém, que acredita que a empresa possa ser penalizada por isso.

Segundo Botelho, os problemas que levaram aos atrasos na fabricação desses modelos já estão sendo resolvidos e, em 2007, a fabricante de aviões deverá acelerar seu ritmo de produção para compensar essa situação.

"Não é um atraso crítico, como o enfrentado atualmente pela Airbus no projeto do A380. Nosso atraso é de apenas poucos meses, não de mais de um ano", disse ele.

Botelho notou que, no caso da Airbus, os problemas ocorrem na fase de desenvolvimento do projeto. Na Embraer, a dificuldade se apresentou em aviões já lançados no mercado, o que facilita a correção das falhas e a retomada do ritmo de produção.

A empresa crê ser possível que seus clientes peçam algum tipo de ressarcimento pela demora, seja o pagamento de multas ou o recebimento de compensações da fabricante brasileira. O executivo informou que não há um cliente específico que será mais afetado pelo atraso nas entregas.

Em conferência telefônica com a imprensa, Botelho salientou que os atrasos estão concentrados na produção dos modelos EMB 190 e 195 e não afetam as outras famílias de jatos. A demora, como apontou, ocorreu por conta de um atraso na entrega das asas daqueles aviões.

A japonesa Kawasaki, fabricante das asas, não acreditou, segundo ele, no crescimento de vendas esperado pela Embraer. Por isso, não se preparou para fornecer o volume necessário de peças para atender à demanda da fabricante brasileira. Para contornar o problema, a Embraer assumiu completamente o controle das operações de construção das asas da Kawasaki no Brasil.

Na avaliação de Botelho, a situação do fornecimento das asas só deve ser revertida totalmente no primeiro trimestre de 2007. Ainda assim, afirma que as dificuldades não são tão graves.

No total, serão dez unidades dos aviões dos modelos 195 e 190 enviadas com atraso para seus compradores. Por conta disso, a fabricante de aviões reviu sua projeção de entregas deste ano, de 145 aeronaves para 135. No ano que vem, porém, espera entregar, no mínimo, 160 unidades.

(José Sergio Osse | Valor Online)

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