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09/10/2006 - 12h08

Indenização do vôo 1907 da Gol pode superar US$ 35 milhões

SÃO PAULO - As indenizações para as famílias das 154 vítimas do acidente com o vôo 1907 da Gol podem superar US$ 35 milhões. A cobertura faz parte da apólice do seguro de responsabilidade civil (RC), que refere-se aos danos que a aeronave pode causar a terceiros. O Boeing-737/800 também tinha um seguro do casco, com apólice estimada em US$ 46 milhões.


Tanto o pagamento das indenizações quanto o da aeronave serão feitos por seguradoras estrangeiras, que assumiram mais de 90% do risco. A seguradora da Gol no Brasil é a SulAmérica, que ficou com risco muito pequeno, de menos de 1% do valor da apólice, estimam especialistas em seguro aeronáuticos. Já o IRB Brasil Re, única resseguradora autorizada a operar no país, teria ficado com algo entre 5% e 10% do risco do casco. Com isso, pode ter prejuízo em torno de US$ 2,5 milhões com o sinistro.


Já o seguro de RC tem praticamente 100% do risco com resseguradoras internacionais por causa dos enormes valores envolvidos. Segundo uma fonte, uma apólice de RC costuma ultrapassar os US$ 500 milhões.


No mercado externo, a Allianz é a seguradora líder da apólice. Mas os especialistas calculam que ela tenha ficado com, no máximo, 10% do risco, passando o restante para um " pool " de resseguradoras.


Se ficar provado que o piloto do Legacy foi responsável pelo acidente, a seguradora da empresa dona do jato, a ExcelAire, é que terá que arcar com os prejuízos.


O impacto do acidente no preço dos seguros de aeronave deve ser baixo. " Seria preciso mais uns quatro acidentes como este nos próximos dias para ter alta dos preços " , afirma Gustavo Tavares da Cunha Mello, da Correcta Seguros, especializada em seguro aeronáuticos.


Para Mário Faria, corretor da Inter Assessoria Aeronáutica, o acidente pode ter efeito nas apólices futuras da Gol. Mas, como ela está expandindo sua frota, um aumento no preço do seguro das aeronaves seria diluído.


Para Paulo Bittencourt Sampaio, consultor de aviação, o valor das apólices da Gol pode não sofrer um aumento nominal, mas a companhia pode perder descontos em decorrência do acidente. Ele afirma que o seguro aeronáutico no Brasil é mais barato do que em outros países devido ao baixo índice de acidentes no país: 0,87 a cada 1 milhão de decolagens, frente a 1,2 da média mundial.


(Altamiro Silva Júnior e Roberta Campassi | Valor Econômico)

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