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13/10/2006 - 14h15

Emirates mantém pedido de aviões A380, mas ameaça com cancelamento caso Airbus atrase novamente

SÃO PAULO - A Emirates Airlines não cancelará seu pedido dos superjumbo A380 da Airbus por conta do novo atraso na previsão de entrega, anunciado na semana passada. Ainda assim, não descarta abandonar o negócio caso haja outra alteração no prazo.

A Emirates é a companhia com o maior pedido de A380s, tendo comprado 43 unidades e adquirido outras duas por leasing. Na tentativa de diminuir os efeitos dos atrasos, a empresa aérea disse que buscará o leasing de entre cinco e sete unidades do modelo Boeing 777-300ER. Os aluguéis terão duração de entre 10 e 12 anos.

O presidente da Emirates, Tim Clark, comentou que o novo atraso na entrega dos A380 representa um "grande buraco" na estratégia de expansão da companhia. Por conta dos problemas de entrega, a empresa só atingirá a meta de ter 156 aeronaves em 2012 em vez de 2010, como esperava. Os novos aviões serão usados pela companhia para ligar a Ásia à Europa e à América do Norte e competir com empresas tradicionais do mercado norte-americano e europeu.

Em razão de falhas no projeto do A380, das dificuldades na instalação dos fios do avião e da falta de experiência e conhecimento da equipe de montagem da aeronave, a Emirates irá receber seu primeiro superjumbo apenas em agosto de 2008. Anteriormente, a projeção era de receber o avião em outubro do ano que vem.

O Airbus A380 é o projeto mais ambicioso da aviação moderna, com custo estimado de 12 bilhões de euros. Quando entrar em serviço, será o maior avião de passageiros do mundo, com capacidade para transportar mais de 800 pessoas. Seu programa, porém, foi mal conduzido pela Airbus, que perdeu credibilidade por isso.

As dificuldades decorrentes da má administração do projeto já custou o cargo de pelo menos três altos executivos da Airbus e da EADS (European Air Defence and Space Company), controladora da fabricante de aviões.

A última demissão ocorreu no início desta semana, quando Christian Streiff, executivo-chefe da Airbus foi cortado apenas 100 dias à frente da companhia. Ele queria mais liberdade para conduzir reformas na empresa, mas não conseguiu se manter após o anúncio de um terceiro atraso no programa do superjumbo.

(José Sergio Osse | Valor Online, com agências internacionais)

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