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30/10/2006 - 09h55

AIG e donos da Gol compram Providência

SÃO PAULO - O fundo de private equity AIG Capital e a família Constantino, dona da companhia de aviação Gol, fecharam a compra do grupo Providência, maior fabricante brasileiro de não-tecidos, segundo confirmou ao Valor uma pessoa a par da negociação.

A transação, cujo anúncio está previsto para ocorrer provavelmente hoje, era avaliada em cerca de R$ 1 bilhão, soma considerada alta por especialistas da indústria petroquímica. Os novos donos, o fundo de private equity americano, que administra mais de US$ 500 bilhões em ativos, e os irmãos Constantino Júnior, Henrique, Joaquim e Ricardo, que transformaram-se bilionários depois da abertura do capital da Gol, deverão fazer o lançamento de ações da empresa, cuja sede fica em Curitiba.

Fundada em 1963 pelo casal Milan e Anita Starostik, com mais de 80 anos, o grupo Providência tinha um grave problema sucessório: o único filho, William, que tinha funções executivas na companhia, morreu no ano passado. Os três netos não demonstram interesse pelo negócio. Um deles, também chamado William, é piloto da Fórmula Renault. As outras duas, Kamile e Mileno, dão nome a principal marca de produto vendido pela empresa, Kami.

A Providência, que também atua no segmento de tubos e conexões de PVC e embalagens flexíveis (origem do grupo), teve receita líquida de R$ 495,8 milhões em 2005, alta de 4% sobre o ano anterior. O lucro líquido foi de R$ 103,8 milhões, 10% menor. Em 2005, a empresa conseguiu uma proeza invejável: zerou a dívida.

Cerca de 80% da receita do grupo concentra-se no setor de não-tecidos, um produto utilizados em fraldas descartáveis, carpetes, colchões, isolantes térmicos e acústicos, roupas cirúrgicas, entre outras tantas aplicações.

A indústria brasileira de não-tecidos - um manto de fibras ou filamentos composto de diversos materiais como lã, polipropileno, algodão etc - movimenta cerca de R$ 900 milhões por ano, segundo especialistas do setor.

" O setor tem apresentado crescimento entre 8% e 10%, mais do que as taxas de crescimento da economia " , diz Laerte Maroni, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Não-Tecidos (Abint), que reúne as empresas do setor. Segundo ele, a indústria produz 140 mil toneladas, exportando 44 mil toneladas por ano. Nos últimos anos, as empresas investiram US$ 250 milhões para ampliar a produção. Maroni avalia que esta indústria deverá enfrentar um desafio. " É um segmento que passará por uma fase de supercapacidade. "

(André Vieira e Marli Lima | Valor Econômico)

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