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31/10/2006 - 09h51

Jatos estão vetados em horário de pico

SÃO PAULO -As empresas de táxi aéreo e os jatos executivos foram proibidos de operar na região sob responsabilidade do controle aéreo de Brasília (Cindacta I), entre 7h30 e 12h, e 17h e 20h, até o dia 28 de novembro. A medida, definida em conjunto pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Aeronáutica e Infraero, foi criada num momento em que vôos de todo o país estão sofrendo atrasos, em decorrência à diminuição na capacidade de atendimento dos controladores aéreos.

A norma que restringe as operações chamadas não-regulares foi emitida no domingo, pelo Departamento de Controle do Espaços Aéreo (Decea), e é válida por 30 dias. A área de restrição corresponde à maior parte da região controlada pelo Cindacta I - este abrange Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo, Goiás, o sul de Tocantins e parte do sul de Mato Grosso.

A determinação suscitou a reação das empresas de táxi aéreo e da entidade representativa do setor. A Líder, empresa de Minas Gerais, estima que poderá perder até US$ 2 milhões num mês com a limitação de horários imposta. " Não é o caso de restringir, tem que haver outras alternativas, nem que seja trazer controladores de fora do país, de outros Cindactas " , afirma Eduardo de Pereira Vaz, presidente da Líder. Segundo ele, cerca de 70% dos vôos da companhia passam pela região controlada por Brasília.

" É um absurdo tomar essa medida dessa maneira, sem nos consultar " , afirma Adalberto Febeliano, vice-presidente da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag). " Fica a impressão de que as autoridades precisam de um bode expiatório para justificar o problema dos atrasos. " A Abag enviou uma nota de protesto às autoridades.

Nos últimos dias, a Infraero vem afirmando que a saturação do controle de vôo em Brasília foi causada pelo aumento no número de vôos executivos e de táxi aéreo. Segundo a Anac, essas operações representavam 20% do tráfego e hoje representam 50%.

" O motivo dos atrasos é a falta de planejamento e de capacidade gerencial " , afirma Febeliano, que defende uma restrição, caso seja necessária, proporcional entre vôos comerciais e não-regulares. " A aviação geral corresponde a de 5% a 10% do tráfego. "

" Os vôos não estão sendo restringidos. Eles estão sendo apenas redistribuídos, como forma de reorganizar o tráfego aéreo " , afirmou ao Valor o presidente da Anac, Milton Zuanazzi. Segundo ele, o objetivo é atender o tráfego principal, que é o comercial. A Anac se reunirá amanhã com o Decea para definir novas medidas.

O diretor para assuntos governamentais do Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (Snea), José de Anchieta Helcias, afirma que a falta de investimentos em infra-estrutura e equipamentos mais modernos, mais as condições ruins de trabalho dos controladores estão prejudicando as operações. Quanto à restrição dos vôos não-regulares, ele diz: " Eu acho que está certo. O táxi- aéreo não pode prevalecer sobre a aviação comercial, seria como um carro ter preferência sobre numa faixa dos ônibus " .

(Roberta Campassi | Valor Econômico)

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