UOL EconomiaUOL Economia
UOL BUSCA

04/12/2006 - 11h06

Airbus decide manter projeto do A350 com recursos próprios, mas primeiro vôo será só em 2013

SÃO PAULO - O conselho de administração da Airbus deu na sexta-feira parecer favorável à manutenção do programa A350, aceitando financiar o projeto com dinheiro da própria empresa. O programa estava ameaçado por ter sido completamente alterado para atender às exigências das companhias aéreas.

O agora chamado A350 XWB (corpo extra largo, na sigla em inglês) é uma tentativa de a fabricante européia fazer frente ao 787 Dreamliner, da concorrente norte-americana Boeing. Até agora, o avião da Boeing tem dominado as vendas de aeronaves de médio porte e longo alcance, cujas entregas estão previstas a partir de 2008, apesar de os dois programas terem sido anunciados praticamente juntos.

O problema é que as companhias aéreas avaliaram que o avião da Airbus era menor e menos eficiente no uso de combustível.

A decisão oficial de manter o programa de 10 bilhões de euros veio após uma reunião da European Aeronautic Defence and Space (EADS, a controladora da Airbus) que encerrou semanas de incertezas em relação à continuidade do projeto A350. Temia-se que a empresa não fosse capaz de assegurar o financiamento necessário para manter o programa.

"O A350 XWB será o mais moderno avião comercial e estará muito à frente de seus competidores", disseram os co-executivos-chefes da EADS, Tom Enders e Louis Gallois (que também é executivo-chefe da Airbus).

O problema é que agora o programa levará mais tempo para ser desenvolvido. Por conta disso, quando o primeiro modelo A350 XWB entrar em operação, o 787 Dreamliner da Boeing estará nos céus a mais de cinco anos.

A EADS estima que o A350 XWB, juntamente com os modelos A330 e A340, também de aviões médios, entrará em operação num mercado que terá demanda para cerca de 5.700 novas aeronaves nas próximas duas décadas, num valor total de US$ 1 trilhão.

De acordo com a companhia, o financiamento do projeto - que reformulado custará o dobro do originalmente previsto - virá principalmente do caixa da empresa. O caixa, por sua vez, será impulsionado pelo programa de reorganização da empresa, anunciado em outubro e que promoverá o aumento na eficiência da empresa além de cortes de gastos.

Financiamentos adicionais serão discutidos de acordo com a política atual da companhia de "preservar um balanço financeiro estável e robusto", salientou em comunicado.

Os gastos de desenvolvimento do projeto serão distribuídos entre os anos de 2007 e de 2014, com concentração maior no período entre 2010 e 2013.

(José Sergio Osse | Valor Online)

Shopping UOL