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24/01/2007 - 10h31

Infraero planeja construir mais um aeroporto em SP

SÃO PAULO - A Infraero já começa a planejar a construção de um novo aeroporto para atender a cidade de São Paulo. Os estudos ainda estão em fase embrionária, mas são considerados necessários pelo presidente da estatal, brigadeiro José Carlos Pereira, porque chega a dez anos o intervalo entre a decisão de construir uma obra desse porte e a sua efetiva inauguração. Municípios da Baixada Santista e Taboão da Serra são alternativas.

" A minha opinião pessoal é de que, em dez anos, precisamos construir um terceiro aeroporto para São Paulo " , disse Pereira, ao detalhar ontem os investimentos da sua área previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Ele estima em pelo menos R$ 5 bilhões os gastos potenciais de um novo aeroporto. De acordo ele, há pouquíssimo espaço disponível na região de São Paulo, o que pode levar um futuro projeto para municípios mais afastados.

" A principal tarefa é a escolha do sítio adequado, o que tem a ver também com o tráfego aéreo, meio ambiente e questões viárias " , observou Pereira. Tão importante quanto o aeroporto em si, segundo ele, é a ligação terrestre às instalações. O plano é de longo prazo, mas Pereira assegurou já ter " núcleos na Infraero pensando nisso " . Um novo aeroporto deverá ter capacidade para, pelo menos, 25 milhões de passageiros por ano.

A necessidade surge da constatação de que Congonhas está totalmente saturado e o aeroporto de Guarulhos (Cumbica) deverá atingir 90% da sua capacidade nos próximos meses. Cumbica ganhará um terceiro terminal de passageiros, que expandirá a sua capacidade de 17 milhões para 29 milhões de passageiros por ano. A preocupação maior é com as pistas de pousos e decolagens.

Por enquanto, existe certa folga para receber maior tráfego de aeronaves. O problema é que o projeto original de Cumbica previa, ao lado das duas pistas existentes, uma terceira. E o espaço para construí-la foi tomado por comunidades pobres. Hoje, a Infraero teria que desapropriar casas onde moram 30 mil pessoas, estima o brigadeiro. " A idéia não foi totalmente abandonada, mas se torna mais difícil a cada dia. "

Uma alternativa é reforçar a estrutura de Viracopos e construir uma nova pista. Isso pode ocorrer até 2010, embora não esteja no PAC, mas não gera tanta oferta quanto um novo aeroporto para São Paulo. O assunto já chegou, inclusive, à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

A diretora Denise Abreu manteve contatos recentes para discutir a questão com auxiliares do prefeito Gilberto Kassab e com o secretário estadual de Transportes, Mauro Arce. " Vamos fazer um estudo de todos os aeroportos e de como eles têm sido usados. É a partir daí que concluiremos pela necessidade ou não de um novo aeroporto em São Paulo " , afirmou Denise, acenando com o início do debate com a sociedade civil ainda neste ano.

O PAC contempla R$ 3 bilhões em recursos para a modernização e expansão de 20 aeroportos. Do total, R$ 1 bilhão sairá das próprias receitas da Infraero e R$ 2 bilhões do Orçamento Geral da União. O brigadeiro Pereira informou que a necessidade total de investimentos da estatal até 2010 chega a R$ 6 bilhões, mas os recursos restantes (fora do PAC) provêm do fluxo de caixa gerado pela estatal.

O presidente da Infraero esclareceu ainda que não há discussões no governo para retomar o projeto de abertura de capital da empresa, hoje 100% nas mãos do Tesouro Nacional e do BNDES. As obras contempladas pelo PAC incluem o terminal 3 de Guarulhos (R$ 1,026 bilhão) e o aumento em um terço da capacidade no aeroporto de Brasília (R$ 149 milhões), além da recuperação das pistas e do terminal de cargas do Galeão.

(Valor Econômico)

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