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07/02/2007 - 07h58

Proibição em Congonhas deve prejudicar dez mil passageiros

BRASÍLIA - As autoridades aeronáuticas estimam que entre 9 mil e 10 mil passageiros ficarão sem viajar a partir de quinta-feira, quando começa a valer a liminar concedida na segunda-feira, pela Justiça Federal de São Paulo, que veta a operação de pelo menos três tipos de avião no aeroporto de Congonhas. Esse número já leva em conta o eventual deslocamento de passageiros para vôos partindo dos aeroportos de Cumbica (Guarulhos) e Viracopos (Campinas).

Se for mantida a proibição para as aeronaves Fokker-100 e Boeing 737-700 e 737-800, a Anac pretende realocar 20% dos vôos de Congonhas para Guarulhos e outros 2% para Campinas. Trajetos de longo curso, como para capitais nordestinas, podem até mesmo ser feitos do Galeão - com passageiros conduzidos até o Rio de Janeiro de ônibus e fazendo só o trecho restante de avião.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e a Infraero estão recorrendo da decisão tomada pelo juiz Ronald Carvalho Filho, da 22ª Vara Federal de São Paulo. No Tribunal Regional Federal (TRF), foram pedidos ontem uma liminar e um agravo de instrumento para alterar a decisão do magistrado. O órgão regulador e a estatal também vão fazer um pedido de reconsideração a Carvalho Filho. Se não for possível mudar a decisão, a situação será " caótica " , admite a diretora-presidente em exercício da Anac, Denise Abreu. " O efeito dominó seria uma questão de tempo " , reforçou o presidente da Infraero, José Carlos Pereira, citando a possibilidade de transtornos em outros grandes aeroportos de todo o país.

A determinação do juiz Carvalho prejudica especialmente Gol Linhas Aéreas e OceanAir, que têm sua frota composta basicamente pelas aeronaves proibidas.

Segundo o juiz Carvalho, os três modelos de avião utilizam mais de 80% da pista principal em Congonhas para pousar ou decolar nos dias de chuvas, o que não lhes daria margem de segurança caso não conseguissem frear adequadamente. Como a pista mede 1.940 metros, apenas as aeronaves que utilizam até 1.552 metros em suas operações foram habilitadas.

" A possibilidade de lesão aos passageiros e tripulantes, bem como as pessoas que circulam nas vias próximas ao aeroporto, assim como a perda de vidas em um acidente aeronáutico é incontestável, desse modo está presente o perigo de dano irreparável " , afirmou Carvalho em sua determinação.

A OceanAir afirmou que o cálculo feito pelo juiz está equivocado e não é utilizado pelo setor aeronáutico como referência de segurança. Segundo a empresa, as aeronaves Fokker 100 precisam de no máximo 1.035 metros para pousar e decolar quando a pista está molhada. Procurada, a Gol não se pronunciou sobre o assunto.

A OceanAir utiliza o Fokker 100 em cerca de 90% dos vôos feitos a partir de Congonhas. A cada dia que as aeronaves não operassem no aeroporto, a companhia aérea perderia até R$ 2 milhões, disse German Efromovich, presidente da OceanAir. " A empresa pode até fechar " , disse. Isto porque, segundo o executivo, a companhia seria obrigada a transferir os vôos para Guarulhos e assim perderia os passageiros para outras companhias aéreas que continuassem operando em Congonhas. A TAM e a Varig são as únicas empresas que, por enquanto, não foram afetadas pela decisão do juiz.

(Daniel Rittner e Roberta Campassi | Valor Econômico)

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