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09/03/2007 - 18h11

Anac e Infraero defendem que Galeão seja um novo centro de distribuição de vôos

RIO - Após reunião com o governador fluminense, Sérgio Cabral, representantes da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e da Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero) defenderam hoje que o aeroporto do Galeão, no Rio, se torne um novo hub (centro de distribuição de vôos) no país.

O principal objetivo é desafogar a movimentação nos aeroportos de São Paulo, que atualmente operam acima das suas capacidades. Hoje, o país conta com apenas um centro nacional de distribuição de vôos, o aeroporto de Guarulhos.

"Como as operações em Guarulhos estão esgotadas em alguns horários, há uma tendência muito grande de as empresas optarem por voar no Galeão", disse o presidente da Anac, Milton Zuanazzi. O aeroporto de Guarulhos tem capacidade de atender 20 milhões de passageiros por ano e o movimento chega a 16 milhões de passageiros, nível considerado elevado pela Anac. No aeroporto de Congonhas, a movimentação por ano equivale a 18 milhões de usuários, enquanto a capacidade é de apenas 12 milhões de passageiros ao ano.

Por outro lado, o Galeão, que perdeu espaço na escolha das empresas aéreas na última década, opera com ociosidade. São 9,5 milhões de passageiros para uma capacidade de 15 milhões de usuários ao ano. Além disso, 80% do volume de cargas transportadas foi transferido para São Paulo nos últimos dez anos.

"A tendência é ter mais de um hub no país. Um país continental como o Brasil não pode sobreviver com só um ponto de parada. Nos Estados Unidos, são seis ou sete grandes hubs", disse o presidente da Anac.

De acordo com o superintendente da regional Leste da Infraero, Pedro Azambuja, a expectativa é de que os Jogos Panamericanos, que ocorrem em julho, aumentem o movimento anual de 10,5 milhões ao ano para 11 milhões de usuários ao ano no Galeão. Ele disse que várias empresas já fizeram pedidos para iniciar ou ampliar suas operações no aeroporto, como TAM, Líder e Ocean Air. Nos vôos internacionais, dez empresas estão interessadas em atuar ou expandir suas atividades. "Devemos ter um hub do Sudeste, que pode ser plenamente dividido entre o Rio e São Paulo", disse o superintendente da Infarero.

Para estimular o uso do Galeão pelas companhias aéreas, Azambuja afirmou que a Infraero pode inclusive reduzir as tarifas aeroportuárias, mas a decisão cabe à Anac. A redução das tarifas envolve ainda a discussão da retirada de parte de recursos destinados aos cofres do Tesouro Nacional. Ele observou que a questão da segurança nas vias expressas que dão acesso ao Galeão influenciou na redução das atividades das empresas do aeroporto e que é um assunto que precisa de "cuidados".

Embora a Infraero auxilie na segurança, sua atuação está limitada ao perímetro do aeroporto. "É preciso uma ação maior das polícias, que tem ser de inteligência e continuada. Não pode ser pirotecnia", disse Azambuja.

(Ana Paula Grabois | Valor Online)

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