UOL EconomiaUOL Economia
UOL BUSCA

22/03/2007 - 16h42

Alguns problemas do setor aéreo estão longe de serem resolvidos, diz presidente da Anac

SÃO PAULO - O presidente da Agência Nacional de Aviação Civil, (Anac), Milton Zuanazzi, disse ontem que alguns dos problemas que afligem o setor aéreo brasileiro ainda não estão nem perto de serem resolvidos. Ele também negou que a situação que o setor vive seja uma "crise".

"Não vivemos uma crise no setor. Temos problemas. Alguns sérios, outros que não têm solução a curto prazo", disse Zuanazzi ontem à noite em palestra no Fórum Panrotas, um dos principais eventos do setor de turismo do país.

Mais tarde, porém, em entrevista a jornalistas, chegou a escorregar e admitir a crise quando questionado se o crescimento no número de passageiros comemorado pela manhã no mesmo evento pelo então ainda ministro do Turismo Walfrido Mares Guia não seria um indicador da proximidade do colapso no setor.

"Não, isso não vai acontecer. O que temos é uma crise", disse, mas corrigiu: "mas é uma crise em alguns aspectos, e não generalizada".

O presidente, que assumiu a então recém criada Anac no auge da crise da Varig, apesar de não especificar quais são os problemas que não têm solução a curto prazo, afirma que há dois principais motivos para a crise aérea: a falta de investimentos passados em infra-estrutura e a atual saturação de vários aeroportos importantes e a enorme competitividade do setor.

"A competitividade faz com que a malha de vôos esteja muito integrada", diz, alegando que quando há uma falha, mesmo que localizada, todo o sistema é afetado. O aumento na concorrência, além disso, não foi acompanhado por um aumento na infraestrutura, daí o aumento no número de problemas.

Questionado sobre o porquê de todas as dificuldades do setor aéreo - que aparentemente não afetavam significativamente as operações antes do acidente com o avião da Gol, em setembro de 2006 -, Zuanazzi disse que o que houve foi uma seqüência de fatores imponderáveis que afetaram o setor.

"Se formos pessoas mais propensas a acreditar em teorias da conspiração, pode ser que comecemos a pensar em algo. Mas, se formos um pouco menos propensos a essas teorias, o caminho pode ser, talvez, mais místico: de que foram apenas coincidências", disse, arrancando risos da platéia, mas não respondendo a pergunta.

Segundo o presidente da Anac, os investimentos de curto prazo liberados pelo governo, e a serem liberados pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), de R$ 3 bilhões, serão suficientes para adequar os aeroportos às necessidades atuais. Ele não disse, porém, se eles estarão preparados a atender o crescente aumento na demanda, estimada em 16 milhões de passageiros a mais por ano em 2006 do que no início do governo Lula, em 2003.

Zuanazzi se recusou a comentar detalhadamente os problemas dos controladores de vôo, alegando que são questões de competência da Aeronáutica. "Somos parceiros da Aeronáutica, mas a responsabilidade sobre o controle aéreo é dela, não nossa", disse ele. E acrescentou que, segundo a própria Aeronáutica, seria necessário aporte de R$ 250 milhões além dos R$ 500 milhões de orçamento da arma para a atualização dos equipamentos de controle de vôo. Esses equipamentos são apontados como causa, entre outros problemas, do apagão aéreo do último domingo.

Sobre o aeroporto de Congonhas, em São Paulo, Zuanazzi diz que ele já está saturado e que, com o início das obras na pista principal - após o término da reforma na pista secundária, atualmente em curso - será inevitável a transferência de vôos para outros locais.

Uma das possibilidades seria Viracopos, em Campinas. "A capacidade lá é de 2 milhões de passageiros por ano. Hoje passam 800 mil. Assim temos espaço para mais 1,2 milhão de passageiros lá", disse. Sobre a provável desistência de alguns passageiros, que prefeririam não voar a serem obrigados a ir para Campinas (a 100 km de São Paulo), ele disse que, sim, haverá quem deixará de voar. "Mas haverá também aqueles que não se importam com isso e passarão a voar apesar de o aeroporto ser mais longe", afirmou.

Zuanazzi disse ainda que a Anac estuda a flexibilização de taxas aeroportuárias, para influenciar os passageiros a utilizarem aeroportos menos saturados por conta dos preços.

(José Sergio Osse | Valor Online)

Shopping UOL