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Osasco tem prefeito saído de prisão, ex-tesoureiro do PT e filha de pastor

Filha de pastores Simony é feminista e candidata à prefeita  - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Filha de pastores, Simony é feminista e pré-candidata a prefeitura
Imagem: Arquivo Pessoal

Rayane Moura

Colaboração para o UOL, em Santo André (SP)

29/09/2020 04h00Atualizada em 29/09/2020 13h26

Nas últimas eleições em Osasco, na região metropolitana de São Paulo, o atual prefeito, Rogério Lins (Podemos), que disputa a reeleição, foi eleito na primeira fez que disputou o cargo, com o discurso de renovação na política.

O revés veio logo após a vitória, em segundo turno, quando ele e mais 13 vereadores foram presos, acusados de contratar funcionários públicos fantasmas e desviar parte dos salários. De acordo com o Ministério Público de São Paulo, a estimativa é que o esquema tenha desviado R$ 21 milhões dos cofres públicos.

Rogério Lins ficou foragido por três semanas, porque viajava ao exterior com a família no momento da acusação, mas se entregou ao desembarcar no Brasil, no Natal de 2016. Foi solto após pagamento de fiança de R$ 300 mil. Cerca de 48 horas depois, assumiu a Prefeitura de Osasco.

Lins já havia sido vereador entre 2009 e 2016 e reeleito em 2013 para o mesmo cargo.

Ele repete a chapa com Ana Maria Rossi (PL), mulher do ex-prefeito Francisco Rossi. "Em time que está ganhando não se mexe", disse durante a convenção.

Emídio de Souza (PT) é o seu principal oponente. Já foi duas vezes prefeito da cidade, três vezes vereador e atuou como deputado estadual por duas vezes, sendo novamente eleito em 2018.

Ex-presidente do PT de São Paulo, também foi tesoureiro do partido e advogado do ex-presidente Lula. Em 2014, coordenou a campanha de Alexandre Padilha para o governo de São Paulo e colaborou diretamente na campanha de reeleição de Dilma Rousseff à Presidência.

"Habitação foi uma das áreas em que Osasco mais cresceu durante a minha gestão. Osasco deu um salto extraordinário, agora é preciso retomar o processo de urbanização de favelas", diz o candidato.

O Pastor Silvio Neves (PTB) foi escolhido para vice, em chapa apoiada também por PV. "Espero que essa campanha seja sem ódio ou ataques pessoais", disse o candidato a prefeito.

Emídio foi denunciado pelo MP e virou réu em 2016 por atos de improbidade administrativa supostamente praticados enquanto estava na prefeitura. Teve bloqueados até R$ 6,6 milhões em bens a pedido da promotoria.

No mesmo ano, a Justiça já havia pedido o bloqueio de seus bens por uma investigação sobre licitação de serviços de informática.

Atualmente, o candidato tem mais de 30 ações envolvendo seu nome, a maioria por improbidade administrativa.

Elissandro Lindoso, conhecido como Dr. Lindoso, se lançou pelo Republicanos. O oftalmologista foi o vereador mais votado em 2016 e presidente da Câmara entre 2017 e 2018. O Coronel Lucena (PSC) é seu vice.

Ele defende áreas prioritárias para a gestão como saúde, segurança e educação. "Estamos cansados também de ver nossa cidade ser transformada em um balcão de negócios", disse.

Também enfrentou denúncias. Na Câmara Municipal, houve um pedido de impeachment por improbidade administrativa. Segundo pedido feito pelo advogado Cassiano Abichara Rodrigues, o parlamentar foi omisso ao não cobrar verbas devidas do Executivo.

Simony dos Anjos (PSOL) é a única mulher na disputa. Concorre pela primeira vez ao cargo e se define como uma feminista evangélica. Filha de pastores da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil, diz que seu interesse por política cresceu junto com "as provações" que enfrentou em casa e na igreja.

"Comecei a notar que muitas mulheres sumiam do culto e só voltavam depois que desapareciam as marcas da violência sofrida em casa. Então passei a visitar igrejas dizendo às mulheres que elas não pecavam por não serem submissas ao marido", relatou, em entrevista ao UOL.

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Errata: o texto foi atualizado
O título do texto informava que Emídio de Souza era tesoureiro de Lula, na realidade, era foi tesoureiro do PT e advogado de Lula. Além disso, ele não foi condenado em ação por improbidade administrativa. Já foi denunciado pelo Ministério Público e virou réu, mas não houve condenação. O texto foi corrigido.
Rogério Lins (Podemos) foi eleito prefeito de Osasco (SP), em 2016, em segundo turno, e não em primeiro turno, como informou incorretamente a primeira versão desta reportagem. O texto foi alterado