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Marina Helou: Se a melhor forma de resolver for privatizar, vamos fazer

Luana Massuella

Colaboração para o UOL

23/10/2020 11h33

Marina Helou, candidata à prefeitura de São Paulo pela Rede, disse hoje que se a melhor forma de resolver um problema for privatizando e fazendo parcerias com o setor privado, é o que será feito. A declaração foi dada durante a sabatina promovida pelo UOL, em parceria com a Folha de S.Paulo, comandada pelo colunista do UOL Diogo Schelp e Camila Mattoso, editora do "Painel", da Folha.

Quando eu digo que é hora de fazer diferente, de dar um passo além, pensando só em como melhorar a vida das pessoas, é abrir mão de ideias do começo do século passado, de dogmas que não resolvem mais a questão, e pensar o que realmente resolve.

Helou disse que é a favor, por exemplo, da privatização do Autódromo de Interlagos por ser "um espaço que não gera valor para a cidade de São Paulo". Ela também defendeu a privatização do Anhembi. "Acho que tem um espaço de parcerias com o setor privado importante. A gente precisa qualificar esse espaço. A própria relação com as organizações sociais, são super polêmicas na cidade de São Paulo, eu sou a favor de continuar essas parcerias em relação às vagas na creche, por exemplo", disse.

Machismo e representatividade

Após participar de debates e entrevistas na TV, a candidata publicou em suas redes sociais que foi alvo de comentários machistas. Segundo ela, esses comentários "dão mais forças para continuar". "É um sistema da nossa sociedade de sempre descredibilizar mulheres, mulheres jovens, a partir da perspectiva de gênero, só olhar para mim com o que eu estou vestindo, qual a minha roupa, qual o meu cabelo e não escutar as minhas ideias", disse.

"A gente sabe que a gente precisa avançar, que as mulheres estão aí para fazer a diferença, e ocupar esse espaço hoje, disputando a Prefeitura de São Paulo, ajudo a criar referência para todas as meninas que saibam que hoje, sim, você pode ser prefeita, você pode ser presidente, você pode ser o que quiser. Criar essa referência me dá muita força para continuar."

Privilégios

De acordo com a declaração entregue ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Marina Helou aparece em segundo lugar no ranking de candidatos mais ricos em São Paulo. Para ela, este fato não reflete na maneira de tratar questões da população mais pobre da cidade. "A gente pode escutar os outros e construir políticas públicas", disse.

Eu tenho certeza que eu poderia seguir uma carreira de privilégios, eu poderia seguir a possibilidade de continuar a carreira no setor privado, usufruir dos meus privilégios, continuar crescendo como mulher branca, e não me importar com a construção da sociedade, mas isso para mim não faz o menor sentido.

Helou declarou R$ 2,2 milhões, a maior parte em imóveis. Ela diz ser dona de R$ 1,2 milhão, correspondente a 50% de um imóvel em Moema (zona sul), e de R$ 750 mil, também metade de um imóvel na Vila Madalena, na zona oeste.

Nova política

Em seu plano de governo, Helou se apresenta como uma candidata preparada a fazer uma nova política. "Quando cheguei, o que mais me chocou foi ver que a maioria das pessoas que estão lá, há três, quatro, cinco, seis mandatos seguidos, estão dedicados em manterem as coisas exatamente como elas são", disse.

O que aconteceu foi uma grande explosão da renovação política, que colocou todas as pessoas que estavam se candidatando pela primeira vez, nesse mesmo balaio. A gente precisa começar a separar as pessoas que se prepararam e que têm propostas.

Helou é formada em administração pública pela FGV (Fundação Getulio Vargas) e está em seu primeiro mandato como deputada estadual. Em 2018, a parlamentar conquistou o apoio de cerca de 40 mil eleitores no estado de São Paulo.