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Vera Lúcia fala em romper com capitalismo e em criação de conselho popular

Luana Massuella

Colaboração para o UOL

27/10/2020 11h23

Vera Lúcia, candidata do PSTU à Prefeitura de São Paulo, falou hoje sobre a possível criação de conselhos populares com poder superior ao da Câmara Municipal, o que, segundo ela, seria mais democrático para a cidade. "A classe trabalhadora precisa estar organizada e decidindo, ela mesma, sobre os destinos da cidade. Nós já experimentamos a votação a cada 2 anos, com o controle econômico e político nas mãos das câmaras de vereadores, dos prefeitos, governos e a Presidência da República. Os problemas que afetam as classes trabalhadoras, principalmente as mulheres e negros do Brasil, do mundo e de São Paulo, só continuam se aprofundando", disse.

A candidata participou da sabatina promovida pelo UOL, em parceria com a Folha de S.Paulo, comandada pelo colunista do UOL Diogo Schelp e Camila Mattoso, editora do "Painel", da Folha. Segundo ela, a ideia é que os conselhos populares tenham caráter deliberativo. "A Câmara de Vereadores, para ser democrática, ela também deve se sujeitar. Ela não disse que é a casa do povo? Não disse que a vereância é para atender a demandas da população e legislar a favor dela? Ela vai ter a oportunidade de fazer isso pela primeira vez em São Paulo com a classe trabalhadora organizada aos milhões. E aí a gente vai ver o que é mais democrático."

Questionada sobre a similaridade com o projeto do Orçamento Participativo, organizado pelo PT em Porto Alegre, e se a proposta não seria autoritária, uma forma do partido em controlar as decisões do executivo como do legislativo, ela nega. "Você acha que pode ser autoritário, uma classe trabalhadora, o povo pobre decidindo sobre os rumos da economia e da política sobre a sua totalidade, e não sua parcialidade que era apresentado pelo PT?", disse.

Nós estamos dizendo que em São Paulo vai se ter pela primeira vez um nível de democracia exercida como nunca houve antes. Não vamos votar apenas no dia da eleição. A classe trabalhadora organizada vai votar sobre toda a vida política e econômica da cidade. E isso não é autoritarismo.

Rompimento com o capitalismo

A candidata do PSTU também apresentou uma "alternativa socialista revolucionária" para a cidade de São Paulo e um programa emergencial pós-pandemia. "Nós não temos nenhuma ilusão de que o sistema capitalista pode resolver o problema do emprego completamente, porque no sistema capitalista a concorrência é uma necessidade, é da sua natureza. Portanto, o plano emprego exige que, para além desse plano imediato, a gente crie as condições para criar uma nova sociedade, que é a sociedade que nós defendemos, que é a sociedade socialista", disse.

Críticas ao PT, PCdoB e PSOL

Vera Lúcia fez críticas aos candidatos à prefeitura pelos partidos do PT, PCdoB e PSOL que, segundo ela, divergem em relação ao plano de governo. "Orlando Silva [PCdoB] é defensor aqui, e é defensor no Congresso Nacional da mesma política de [ministro da Economia, Paulo] Guedes, que é de isentar as grandes empresas de impostos. Nós somos o contrário, é a micro e pequena empresa que deve ser isenta de tudo isso e ter financiamento a custo zero, com o único critério de não demitir. [Candidato do PT, Jilmar] Tatto disse que acabou com a máfia do transporte e instituiu o bilhete único, a máfia do transporte permanece e o bilhete único se foi", disse.

Ainda segundo a candidata, o candidato do PSOL, Guilherme Boulos, faz projetos que "trabalham em paralelo ao sistema capitalista". "Boulos diz que vai resolver o problema da pobreza e da fome que amargamos em São Paulo, através da revolução solidária. A 'revolução solidária' são apenas projetos que trabalham em paralelo com o sistema capitalista, a coexistência de dois sistemas em duas formas não podem acontecer numa mesma sociedade", disse.

Vera foi candidata à Presidência em 2018. Fundadora do PSTU, também é a presidente do partido em Sergipe.