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Apesar de alta em internações, Covas diz não haver 2ª onda em São Paulo

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Fábio Regula e Wanderley Preite Sobrinho

Do UOL, em São Paulo

19/11/2020 10h54Atualizada em 19/11/2020 15h58

O prefeito e candidato à reeleição, Bruno Covas (PSDB), afirmou hoje que "não há segunda onda" de coronavírus na cidade de São Paulo, apesar dos alertas de hospitais e autoridades sobre um aumento no número de internações na capital.

Covas repetiu duas vezes - em agenda de campanha e, em seguida, em entrevista coletiva - que a cidade tem uma "estabilidade da evolução na pandemia" e que não vai flexibilizar nem retroceder, por enquanto, as ações de quarentena. "Vamos mostrar que não há segunda onda na cidade e que há uma estabilidade na pandemia", disse ele.

Aqui não há espaço para nenhum discurso extremista, é preciso manter os cuidados, mas não há nenhum número que indique necessidade de lockdown como alguns vem espalhando em fake news
Bruno Covas (PSDB), prefeito de São Paulo

Aumento de internações

Depois de tomar café da manhã em uma padaria no Itaim Paulista, Zona Leste da cidade, Covas foi questionado sobre dados da Fundação Sead (Sistema Estadual de Análise de Dados), segundo a qual houve aumento de 29,5% das internações na cidade. Durante a agenda, Covas não se estendeu sobre o assunto.

Já durante entrevista coletiva, a Prefeitura minimizou a alta recente, afirmando que os índices de internação na capital tiveram oscilações durante toda a pandemia e que o aumento atual se deve, principalmente, por movimentos migratórios (movimentação de pessoas de outras cidades) e pelo relaxamento da população em medidas de prevenção, com aglomerações em bares, festas e até domicílios.

Segundo levantamento apresentado pelo secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido, hoje a rede pública da capital tem 45% de ocupação de UTIs em leitos para a covid-19, enquanto a rede privada tem 76%.

O secretário ainda afirmou que, hoje, 20% das internações na capital são de pessoas residentes de outras cidades, índice que, segundo ele, era de 13% em abril.

Dados do consórcio de imprensa divulgados ontem à noite mostram alta de 71% na média móvel de mortes no estado de São Paulo. Até ontem, o estado já havia registrado 1.184.496 casos e 40.927 mortes por covid-19. Na capital, são 387.228 casos e 14.066 óbitos, com 1% de alta na quarta-feira, segundo dados da Prefeitura.

"Comportamento diferente

Na entrevista, Edson Aparecido reforçou o entendimento de Bruno Covas em relação a uma possível segunda onda no Estado e no Brasil.

De acordo com o secretário, o comportamento da pandemia foi diferente em relação a outros lugares como a Europa, onde o aumento de casos e óbitos ocorreu após uma grande queda nos índices.

O comportamento da pandemia em São Paulo e no Brasil é diferente do que foi no resto do mundo, ainda estamos no primeiro processo, com variações constantes de óbitos e internações. Não dá para dizer que estamos em uma segunda onda
Edson Aparecido, secretário municipal de Saúde

Influência da eleição

A campanha de Bruno Covas teme que a pandemia recrudesça na capital antes do segundo turno, no fim do mês, que ele disputa contra Guilherme Boulos (PSOL).

Pesquisa Ibope divulgada ontem mostra Bruno Covas na liderança das intenções de voto, com 47%. Boulos tem 35%.

O prefeito deixou a entrevista coletiva de hoje após uma apresentação inicial e antes das perguntas de jornalistas. Coube ao secretário de Saúde se manifestar sobre a influência da eleição no combate à pandemia.

Edson Aparecido disse que o período eleitoral não mudará a conduta da equipe da prefeitura em relação às medidas na pandemia. O segundo turno será realizado no dia 29 de novembro.

Todas as estratégias foram definidas pela equipe de vigilância sanitária, que aconselharam o prefeito Bruno Covas. Isso não vai mudar agora porque estamos em véspera de eleição. A prioridade é a vida
Edson Aparecido

2ª onda em São Paulo e no Brasil

Hoje, o governo de São Paulo anunciou hoje a assinatura de um decreto para evitar a diminuição do número de leitos dedicados a pacientes de covid-19 nas redes pública e privada de saúde no estado.

O decreto vale para todos os hospitais públicos, filantrópicos e privados e para leitos de UTI ou enfermaria voltados para o atendimento de covid-19. Está previsto, ainda, a não realização de cirurgias eletivas de modo a garantir

Segundo dados da Secretaria de Saúde, a média diária de internações era de 859 na primeira semana de novembro. Atualmente, é de 1.093 — alta de 27,2%. De acordo com a mesma fonte, há um aumento de 8% nas internações, diante dos 18% verificados na semana anterior.

Ontem, o secretário municipal de Saúde de São Paulo, Edson Aparecido, disse ao UOL que a Prefeitura não planeja reabrir os hospitais de campanha mesmo com um aumento no número de casos e internações por covid-19.

Auxilio Emergencial

Na agenda de hoje cedo, Covas prometeu complementar com três parcelas de R$ 100 o Auxílio Emergencial do governo federal após redução redução do benefício de R$ 600 para R$ 300.

"Estamos discutindo o meio de pagamento para fazer no final de novembro o pagamento de outubro e novembro e dezembro a terceira parcela; ou em dezembro as três parcelas conjuntamente.

"Está declarada emergência até dezembro. A gente vai ver o que vai acontecer a partir de janeiro. Se eu estiver na prefeitura, é continuar essa ajuda emergencial no ano que vem."