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Polícia de SC localiza suspeito de ataque racista contra vereadora eleita

22.nov.2020 - Policiais civis cumpriram mandado de busca contra suspeito das ameaças racistas a uma vereadora eleita em Joinville - Divulgação/Polícia Civil
22.nov.2020 - Policiais civis cumpriram mandado de busca contra suspeito das ameaças racistas a uma vereadora eleita em Joinville Imagem: Divulgação/Polícia Civil

Do UOL, em São Paulo

22/11/2020 11h20

A Polícia Civil de Santa Catarina cumpriu hoje um mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça na casa de um suspeito de ameaças racistas contra a vereadora eleita Ana Lucia Martins (PT), primeira negra da história da Câmara Municipal de Joinville (SC).

O mandado foi cumprido na cidade por policiais civis da DPCAMI (Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso) com a participação do IGP (Instituto Geral de Perícias).

A delegada Cláudia Gonçalves, responsável por conduzir o inquérito, informou que as investigações sobre o caso vão continuar.

Ataques racistas

Ana Lúcia foi alvo de ataques racistas nas redes sociais após ter sido eleita no último domingo (15). Por meio de um perfil falso, pessoas que se dizem membros de uma denominada "juventude hitlerista" publicaram mensagens de ódio e com ameaças de morte. "Agora só falta a gente m4t4r el4 e entrar o suplente que é branco (sic)", dizia uma das mensagens. Ela registrou boletim de ocorrência.

Ana foi eleita com 3.126 votos - a sétima mais votada na cidade. Ainda no domingo da eleição, as redes sociais dela foram invadidas, e fotos e dados da biografia da candidata foram apagados.

Professora aposentada, Ana fez uma campanha pautada nas bandeiras do movimento negro e das mulheres negras. "Sabia que não seria fácil. Estava ciente que enfrentaria uma certa resistência em uma cidade que elegeu apenas na segunda década do século 21 a primeira mulher negra. Só não esperava ataques tão violentos e com aval de parte de pessoas que se declaram 'profissionais da imprensa'", escreveu, nas redes sociais.

Em Santa Catarina, pesquisadores apontam existir ao menos 69 células neonazistas de 340 espalhadas pelo País. Recentemente, ao tomar posse como governadora interina, Daniela Rainehr (sem partido) teve dificuldades em dizer que não concorda com os ideais de seu pai, Altair Reinehr, que já escreveu artigos de teor antissemita negando a existência do holocausto judeu e outros crimes da Alemanha nazista. Após críticas, a governadora interina diz ser 'contrária ao nazismo'.

* Com informações de Estadão Conteúdo