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Após ataques racistas, prefeita eleita em Bauru recebe e-mail com ameaça

A jornalista Suéllen Rosim (Patriota) foi eleita prefeita em Bauru - Rogério Lopes/Divulgação
A jornalista Suéllen Rosim (Patriota) foi eleita prefeita em Bauru Imagem: Rogério Lopes/Divulgação

Do UOL, em São Paulo

02/12/2020 10h08

Depois de registrar boletim de ocorrência por ataques racistas, a prefeita eleita de Bauru (a 330 km de São Paulo), Suéllen Rosim (Patriota), denunciou às autoridades uma ameaça recebida por e-mail.

"Ameaças bastante pesadas, mas eu apresentei tudo para a polícia. Fiz a denúncia e acredito muito no trabalho que eles vão desempenhar para tentar descobrir quem são essas pessoas, se é uma pessoa só que está fazendo tudo isso, se são várias pessoas. Nós não sabemos ainda", disse ela em uma live em sua página no Facebook na noite de ontem.

A prefeita eleita aproveitou a transmissão ao vivo para tranquilizar os eleitores de que, apesar das ameaças, está bem e em segurança. Ela prestou depoimento na tarde de ontem e entregou os prints dos ataques que recebeu.

"Denunciei não só por ser importante mas porque eu represento muitas pessoas que, quem sabe, não tenham a mesma voz que eu tenho hoje", explicou.

Jornalista, Suellen, 32, obteve 55,98% dos votos válidos, um total de 89.725 e superou Raul Aparecido Gonçalves Paula (DEM), 59, que somou 70.558 dos votos, correspondentes a 44,02% do total.

Ataques racistas

Suéllen sofreu ataques racistas em redes sociais e em um grupo de WhatsApp do qual ela não faz parte na véspera de sua vitória na cidade.

Em uma das mensagens enviadas, o agressor diz que "essa gente de pele escura, com cara de marginal administrando essa cidade, será o fim". E prossegue exaltando o candidato que disputou o segundo turno com ela, dizendo que "esse sim tem berço".

Nas redes sociais, a mensagem diz que "Bauru não merecia essa prefeita de cor com cara de favelada comandando nossa cidade". "A senzala estará no poder nos próximos quatros anos.".

Em entrevista ao UOL, ela disse ficar chateada com os ataques, mas que eles não a desanimam. "Temos que procurar a Justiça sempre, não podemos passar pano para isso", disse na ocasião.

A Constituição Federal pune discriminação em virtude de raça e cor e define o racismo como "crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei".

O crime de injúria racial, no entanto, é o que está associado ao uso de palavras depreciativas em razão de raça ou cor e estabelece pena de reclusão de um a três anos e pagamento de multa, segundo o Código Penal.

* Com informações de reportagem de Guilherme Botacini, colaboração para o UOL, em São Paulo