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Previdência não pode ser usada como argumento para não fazer concurso, diz Boulos

22.nov.2020 - Guilherme Boulos (PSOL), candidato à prefeitura de São Paulo, participa de carreata na zona leste da cidade - Arnaldo Nunes/FuturaPress/Estadão Conteúdo
22.nov.2020 - Guilherme Boulos (PSOL), candidato à prefeitura de São Paulo, participa de carreata na zona leste da cidade Imagem: Arnaldo Nunes/FuturaPress/Estadão Conteúdo

Redação O Estado de S. Paulo

São Paulo

23/11/2020 11h51

O candidato do PSOL à Prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos, voltou a defender a realização de concursos na capital paulista como forma de gerar economia nas contas públicas. A declaração foi feita pelo candidato na manhã desta segunda-feira, 23, em debate realizado pela Rádio Eldorado.

Durante a entrevista, Boulos foi questionado sobre uma afirmação sua que repercutiu após a sabatina realizada pelo jornal O Estado de S. Paulo na última quarta-feira.

Na ocasião, quando respondia a uma pergunta sobre a contratação de servidores e a previdência municipal, o candidato disse: "Sabe por que a previdência do serviço público se torna deficitária? Porque não se faz concurso. Porque para a previdência se equilibrar tem que ter mais gente contribuindo, e não só gente recebendo. Você tem mais gente se aposentando, virando inativo para receber da previdência, e como não se faz concurso, você tem menos gente contribuindo para a previdência pública. Fazer concurso é uma forma de arrecadar mais para a previdência pública e você equilibrar a conta com os inativos."

A fala do candidato foi compartilhada nas redes sociais e viralizou, fazendo com que o próprio Boulos gravasse um vídeo para explicar o contexto.

A fala também gerou críticas por parte de economistas como Pedro Fernando Nery, Elena Landau e o ex-diretor do Banco Central, Alexandre Schwartsman, que ironizaram uma eventual medida neste sentido e apontaram que resultaria em um aumento do déficit. Durante a sabatina desta segunda, ele voltou a dizer que se expressou mal.

"Eu me expressei mal naquele dia. A única coisa que eu quis colocar foi a seguinte: Quando um funcionário terceirizado, e hoje todas as contratações da Prefeitura vão no sentido da terceirização, quando ele é terceirizado ele contribui para o regime geral, para o INSS, quando ele é concursado, ele contribui para o regime próprio. O que eu sustento fundamentalmente daquele debate - e foi esse o contexto daquela discussão - foi de que a previdência não pode ser utilizada como argumento para não fazer concursos públicos. Esse é o tema", disse Boulos.

Apesar disso, o candidato à Prefeitura de São Paulo defendeu que a realização de concursos teria um efeito positivo sobre as finanças do município. Boulos disse que a administração do seu rival no segundo turno, Bruno Covas (PSDB), tem priorizado a contratação de funcionários terceirizados, pagando salários mais altos que os de funcionários de carreira. A diferença salarial, segundo ele, representaria a economia.

"O Ministério Público entrou com uma ação por improbidade administrativa contra o Bruno Covas justamente porque tem trabalhadores que já foram aprovados em concurso, não foram chamados até hoje e, em vez de chamar essas pessoas aprovadas em concurso, o que a Prefeitura fez foi contratar trabalhadores terceirizados pagando mais do que aos concursados. Isso é inadmissível", declarou Boulos, acrescentando que pretende realizar seleções para as áreas mais defasadas.