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12/09/2008 - 08h00

Lei que restringe experiência faz seis meses, mas só muda anúncios

Juliana Doretto
Em São Paulo
Há seis meses, em 11 de março, entrou em vigor a lei que limita o período de experiência exigido em anúncios de trabalho a seis meses. Segundo recrutadores ouvidos pelo UOL Empregos, a lei só mudou os anúncios de vagas, mas não ampliou a contratação de jovens.

A nova regra, segundo comunicado da assessoria de imprensa do Palácio do Planalto divulgado em março, foi criada com o objetivo de tornar o mercado de trabalho mais acessível ao profissional jovem. Segundo pesquisa anunciada nesta semana pela ONU (Organização das Nações Unidas), esse é o grupo com maior dificuldade para conseguir uma vaga.

A legislação acrescentou novo artigo à CLT (Consolidação das Leis de Trabalho), que antes não limitava o tempo que o empregador podia exigir como experiência para o recrutamento.

Para Osmani Teixeira de Abreu, presidente do Conselho de Relações do Trabalho da Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais), há funções na indústria que exigem a experiência para que o trabalho seja executado e, mesmo que o jovem participe da seleção, ele é barrado no teste prático.

"Por outro lado, há muitas vagas na indústria que não exigem experiência, como a de auxiliar. Esse é um dos motivos que explicam por que a lei é desnecessária", diz.

Para Fernão Silveira, diretor de comunicação da empresa de recrutamento Catho Online, a mudança mais significativa foi mesmo nos anúncios, mas a experiência ainda é levada em conta na hora da contratação.

Os anos de trabalho deixaram de ser um requisito obrigatório para se tornar algo "desejável". Segundo Silveira, de 60 a 70% das empresas que anunciam na Catho pediam a experiência anterior. Hoje, o mesmo número diz, em seus anúncios, que a experiência é desejável.

"A empresa pode recrutar o perfil que ela desejar. Ela pode eliminar o profissional inexperiente numa entrevista prévia, por telefone, ou na seleção de currículos", afirma.

Silveira faz a ressalva de que seis meses pode ser um tempo muito curto para avaliar os impactos da lei, mas, ainda assim, ele acredita que, é "muito difícil haver modificação nesse cenário" no longo prazo.

Para o profissional da Catho, uma lei que trocasse a obrigatoriedade por incentivos fiscais poderia ser mais bem sucedida no recrutamento de jovens. "O objetivo da lei é louvável, mas, na prática, é muito difícil medir o efeito desejado."
O que o empregador pode exigir durante a seleção?
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