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12/07/2010 - 12h34

Diretor do Cespe explica procedimentos que garantem segurança das provas

Da *Redação
Em São Paulo

A tentativa de fraude na prova da OAB foi uma das peças usadas pela Polícia Federal para prender a maior quadrilha de fraudadores de concurso que se tem notícia no país.

Detonada no mês passado pela PF, a Operação Tormenta, descobriu fraudes nas provas da ABIN (Agência Brasileira de Inteligência), ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), PF (Polícia Federal) e OAB realizados pelo Cespe/UnB (Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília) entre o início de 2008 e junho de 2010.

Em entrevista à UnB Agência, Ricardo Carmona -- diretor-geral do Cespe -- afirmou que, na prova da PF, o Cespe não tinha conhecimento de nenhuma irregularidade. Já com o exame da OAB foi diferente. Durante a aplicação da prova com consulta (segunda fase), os fiscais identificaram que um concorrente usava um material que cotinha manuscritos. O material foi averiguado e posteriormente obtiveram a comprovação de que se tratava das respostas da prova de Direito Penal.

“Com a suspeita de fraude, por nossa iniciativa, fomos conferir as repostas de todos os exames do concurso. Constatamos a existência de 26 provas com respostas semelhantes. A primeira coisa que fizemos foi entrar em contato com a Polícia Federal. Fornecemos todo o material para eles. Foi a partir desse momento que a PF verificou que a mesma quadrilha estava fraudando outras provas”, disse o diretor-geral do Cespe.

Com relação à falha no exame da OAB, Carmona diz que foi uma coisa pontual em são Paulo, apesar de se tratar de uma quadrilha grande. Um conselheiro estava envolvido e um policial corrupto fraudava os malotes que eram protegidos com ferragem e um cadeado, além de um lacre de plástico que protegia o acesso ao conteúdo. O procedimento é colocar as provas em envelopes plásticos que são rompidos somente na hora da prova.

“De alguma forma, o policial corrupto rompia o envelope plástico que protege as provas sem deixar vestígios. Ele pegava uma delas, escaneava e colocava novamente no malote. Daí acontece todo tipo de coisa. Eles forjam documentos, pagam pessoas para resolver as questões. Essas quadrilhas de concurso chegam até a usar escutas”, explica Carmona.

Segundo Carmona, para garantir maior segurança dos malotes, os lacres agora são de aço e não ficam sob responsabilidade da PRF no caso de São Paulo. O Cespe é o responsável em todas as etapas. Os gabaritos são feitos depois que a prova chega a Brasília. Antes, durante e até um bom tempo depois da aplicação dos exames, ninguém sabe as respostas.
 

Procedimentos de segurança adotados pelo Cespe/UnB
A impressão e o empacotamento das provas são realizados em gráfica própria, altamente sigilosa, sem comunicação externa e monitorada continuamente por câmeras de vídeo e scanner corporal.
Pouco antes da aplicação, os malotes de prova devidamente lacrados são conduzidos por coordenadores de aplicação (servidores da UnB) e, muitas vezes, também por membros da Associação de Delegados da Polícia Federal para cada local de aplicação.
O Cespe/UnB desenvolveu um software de embaralhamento de itens, que permite a confecção de diferentes tipos de provas. A quantidade de provas não é divulgada, pois é questão sigilosa.
Outra medida relevante é a identificação dos inscritos apenas por código de barras. Dessa maneira, toda e qualquer pessoa que manipula as folhas de respostas ou de texto definitivo não tem como identificar quem preencheu esses documentos.
No dia da aplicação das provas, o Cespe/UnB conta com a colaboração de profissionais de segurança e membros da Associação de Delegados da Polícia Federal, prontos para agir caso se identifique algum comportamento suspeito de algum candidato.
Durante a aplicação, faz-se o rastreamento de sinais de comunicação: veículos circulam nas áreas próximas aos locais de provas monitorando ondas eletromagnéticas, com a intenção de detectar tentativas de comunicação eletrônica entre candidatos e pessoas externas.
A utilização de artigos de chapelaria e de aparelhos eletrônicos também é proibida. Além disso, todos os candidatos passam por um detector de metais na entrada e saída dos banheiros.
Após a aplicação, as provas são novamente lacradas nos mesmos malotes, que são reconduzidos ao Cespe/UnB.

*Com informações da UnB Agência

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