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05/03/2008 - 14h31

Em SP, emprego cresce mais para homens que para mulheres

Da redação
Em São Paulo
  • Homens têm vantagem para encontrar trabalho? Comente


  • A diferença entre a taxa de desemprego feminina e a masculina na região metropolitana de São Paulo chegou ao valor máximo dos últimos 19 anos. A feminina diminuiu pelo quarto ano consecutivo, ao passar de 18,6%, em 2006, para 17,8%, em 2007. A masculina, como ocorreu nos dois últimos anos, decresceu mais intensamente e chegou a 12,3%.

    Em 2007, do total de ocupações criadas na região metropolitana de São Paulo, apenas 29,3% (58 mil empregos) foram para as mulheres. Ou seja, de cada cem empregos criados, cerca de 30 foram ocupados por mulheres. Em 2006, esse número era de 62%.

    A razão para isso, segunda a Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados), que compilou os dados, é que o crescimento dos postos de trabalho no ano passado se concentrou em setores tradicionalmente masculinos, como construção civil e indústrias metalúrgica e mecânica.

    Assim, o nível de ocupação feminino aumentou 1,5%, em 2007, mantendo-se em crescimento pelo nono ano consecutivo. Mas, para os homens, o aumento foi o dobro: 3%

    Além disso, segundo mostra o Seade, a diminuição do desemprego feminino para 17,8% está associada não apenas ao aumento da ocupação mas também à pequena saída da mulher do mercado de trabalho.

    A participação das mulheres diminui ligeiramente, de 55,4%, em 2006, para 55,1%, em 2007, principalmente entre jovens (possivelmente pela retenção na escola) e negras. Entre os homens, esse indicador quase não se alterou (de 71,3% para 71,4%).

    "Esses resultados indicam para a consolidação da mulher no mercado de trabalho. Houve aumento da participação feminina nos últimos 20 anos, mas agora tem se estabilizado. Ou seja, isso contradiz a idéia de que a mulher entra e sai do mercado só para ajudar o marido ou deixe de trabalhar quando tem filhos", diz Cecilia Comegno, do Seade. O problema, explica a pesquisadora, são as desigualdades entre os gêneros, que permanecem.

    Em 2007, mesmo com a queda da taxa de desemprego, a proporção de mulheres no total de desempregados, que já era grande, aumentou novamente, passando de 54,9%, em 2006, para 55,5% -- maior valor desde 1985, quando a Seade passou a medir os dados de emprego.

    O tempo médio sem trabalho das mulheres diminuiu em um mês e chegou a 21 meses, em 2007. Entre os homens, essa média não mudou e continua muito menor: 13 meses.

    As mulheres ainda ganham menos que os homens. O rendimento médio por hora do trabalho feminino permaneceu praticamente estável (-0,2%) e passou a valer R$ 5,42. Para os homens, também ficou estabilizado (-0,5%), sendo equivalente a R$ 6,96. Ou seja, as mulheres ganham 77,9% do que é recebido pelos homens.

    Essa diferença permanece mesmo no nível superior: as mulheres recebem R$ 15,10 por hora; os homens, R$ 21,18.

    "São diferenças estruturais da sociedade, que não têm a ver com o nível de escolaridade da mulher, por exemplo. Esses números podem ajudar a definir onde atuar, qual deve ser o foco das políticas públicas, para que essa desigualdade diminua", completa a pesquisadora.

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