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27/05/2009 - 18h30

Dúvida: Meu pai está com a carreira estagnada; o que fazer?

Meu pai é engenheiro graduado em uma das mais importantes escolas do Brasil, tem inúmeros cursos de pós, MBAs e especializações. Trabalhou sempre em grandes empresas. No entanto, sua carreira está estagnada. Há anos não recebe aumento real de salário e promoções só aconteceram nos primeiros anos de casa. Acho que ele nunca se sentiu seguro o suficiente para receber um reconhecimento do seu trabalho, e pedir aumento é algo que não faz parte da sua agenda.

Os resultados que traz para a empresa certamente não condizem com o que ele recebe. Além disso, está próximo de se aposentar e o fará com um salário menor que o de muitos trainees. Posso pedir que sugiram algo para nós?


Em primeiro lugar, percebemos que seu pai é uma pessoa que procurou se desenvolver. Tem competência técnica relevante no mercado, adquirida em escolas de renome no Brasil, e se mantém atualizado.

O que pode estar acontecendo é que, embora ele tenha investido muito no desenvolvimento de competências técnicas, se esqueceu da competência comportamental, que atualmente é extremamente valorizada no mercado de trabalho.

Pelas suas observações, a impressão que temos é que seu pai é reservado, demonstra ser mais passivo e fica aguardando que os outros tomem iniciativa.

Você diz que "não faz parte da agenda dele pedir um aumento ou reconhecimento pelo seu trabalho". Sugiro que você faça algumas perguntas ao seu pai: Como as lideranças (os chefes) de seu pai têm enxergado esta falta de posicionamento? Como ele se relaciona com seus pares e colegas? Ele é uma pessoa que tem facilidade de comunicação? Investe em sua rede de relacionamento?

Sabemos que as habilidades técnicas são primordiais para o sucesso de um profissional, mas, além disso, ele deve ser pró-ativo, empreendedor, inovador e ter segurança para reivindicar suas necessidades, dizendo o porquê de suas colocações. É isso que se espera das pessoas nas empresas.

Proponho ao seu pai uma atividade de reflexão: fazer uma análise de seu comportamento, sua forma de agir no dia a dia, definir os pontos de melhoria e realizar um plano de ação. É necessário haver mudança de atitude: ele tem que começar a reconhecer sua competência, adquirir segurança e, a partir disso, se colocar e, caso não seja reconhecido pelo seu trabalho, buscar novos caminhos.

Peça para ele conversar com a sua liderança e com o pessoal de RH e expor suas necessidades. Além disso, quando ele se aposentar, pode tornar-se um excelente consultor, pois tem boa competência técnica, e quem sabe possa até continuar prestando serviços para a empresa em que trabalha.

Stefania Lins Giannoni, especialista em desenvolvimento de líderes e equipes

Veja as respostas das outras perguntas escolhidas em maio:

  • Perguntam se estou participando de outro processo seletivo. O que respondo?
  • Minhas atribuições estão compatíveis com meu cargo?
  • Minhas experiências profissionais são serviços temporários. Isso é ruim?
  • Apressam-me para que eu volte logo ao trabalho. Isso é assédio moral?
  • Saí dos meus últimos estágios em um curto espaço de tempo; isso atrapalha?
  • Na minha carta de apresentação, transcrevo recomendações de professores. Está certo?
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