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67. Neto de Sarney opera no Senado crédito consignado, que é alvo da PF

Fernando Rodrigues
Colunista do UOL, Em Brasília
atualizada em 25.08.2009
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Poder e Política

Data de Divulgação

25.06.2009

O escândalo

O Estado de S. Paulo (aqui) mostrou que o esquema do crédito consignado no Senado inclui entre seus operadores José Adriano Cordeiro Sarney - neto do presidente da Casa, o senador José Sarney (PMDB-AP).

De 2007 até hoje, a Sarcris Consultoria, Serviços e Participações Ltda, empresa de José Adriano, recebeu autorização de seis bancos para intermediar a concessão de empréstimos aos servidores com desconto na folha de pagamento. Ao Estado, o neto de Sarney disse que seu "carro-chefe" no Senado é o banco HSBC. Indagado sobre o faturamento anual da empresa, ele resistiu a dar a informação, mas depois, lacônico, afirmou: "Menos de R$ 5 milhões."

A intermediação de empréstimos consignados se transformou numa mina de dinheiro nos últimos anos. Trata-se de um nicho de negócio que, no Senado, virou propriedade de familiares dos donos do poder. A PF investiga suspeitas de corrupção e tráfico de influência envolvendo o negócio.

Filho mais velho do deputado Zequinha Sarney (PV-MA), José Adriano abriu a empresa quatro meses depois de o então diretor de Recursos Humanos da Casa, João Carlos Zoghbi, inaugurar a Contact Assessoria de Crédito, que ganhou pelo menos R$ 2,3 milhões intermediando empréstimos junto a grandes bancos.

No papel, a Sarcris funciona nas salas 516 e 517 do Edifício Serra Dourada, prédio de salas comerciais no Setor Comercial Sul de Brasília. É o endereço que consta dos registros oficiais da Receita. Os funcionários do prédio dizem que a Sarcris mudou dali

No novo endereço, um prédio no Setor de Rádio e TV Sul, não há nenhuma empresa com o nome Sarcris

Num edifício comercial na Asa Norte, na sala onde deveria funcionar outra empresa de José Adriano Sarney, a Choice Consultoria, funciona na verdade um escritório de advocacia.

O economista José Adriano Cordeiro Sarney disse ao Estado (aqui) que o avô sabia que ele tinha uma empresa especializada em intermediar empréstimos consignados em Brasília. Ele nega, porém, que o avô tivesse conhecimento de sua atuação no Senado.

Em 25 de junho, Romeu Tuma, corregedor do Senado, descartou investigar Sarney por causa da empresa de empréstimo consignado do neto (aqui). Tuma disse: "Até este momento não há nada que indique que ele cometeu algum crime. É preciso aguardar as investigações da Polícia Federal, do Ministério Público para saber se houve ilegalidades e se elas tiveram a participação de senadores"

Em carta aberta ao jornal, o neto de Sarney disse que entrou no mercado pelos "conhecimentos na área", pois teria especialização na Universidade de Sorbonne, na França, e pós-graduação na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos (aqui). Porém, segundo a jornalista Malu Gaspar (aqui), José Adriano fez um curso de extensão, que é equivalente a um curso de graduação, e não uma pós, como havia dito. É um dos poucos cursos de Harvard em que não há processo seletivo.

O que aconteceu?

Sarney encaminhou em 27 de junho à Polícia Federal um ofício solicitando investigação nas operações de crédito consignado na Casa. Pediu que todos os bancos e empresas intermediárias que atuam no Senado sejam alvo da investigação, inclusive a de seu neto José Adriano Cordeiro Sarney. Aqui, reportagem da Folha a respeito.

No dia 28 de junho, o PSDB fez uma representação no Conselho de Ética sobre o tema (aqui).

No dia 7 de agosto, o presidente do Conselho de Ética, Paulo Duque (PMDB-RJ), rejeitou esta e outras 6 denúncias contra Sarney. O senador alegou que elas não poderiam ser acatadas por serem baseadas em notícias de jornal.

No dia 11 de agosto, a oposição recorreu contra o arquivamento sumário desta e de outras 9 denúncias.

Em 19 de agosto, todas as acusações contra Sarney no Conselho de Ética foram arquivadas em definitivo (aqui).

Veja como votou cada senador no conselho (aqui ).

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