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25. Deputados fazem viagens internacionais pagas pela Câmara

Fernando Rodrigues
Colunista do UOL, Em Brasília
atualizada em 20.05.2009
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Poder e Política

Data de Divulgação

16.04.2009

O escândalo

Dois ex-presidentes da Câmara e 4 membros da Mesa Diretora pagaram turismo internacional com cota de passagens aéreas. São eles:

João Paulo Cunha (PT-SP), ex-presidente da Câmara em 2003-2004: emitiu passagens para ele, a mulher e a filha para Bariloche, estação de esqui argentina, em julho de 2008. Também usou sua cota para emitir passagens para a Argentina para sua secretária Silvana Japiassu e outras três pessoas.

Inocêncio Oliveira (PR-PE), ex-presidente da Câmara em 1993-1994: usou a cota para financiar a viagem da mulher, das filhas e da neta para Nova York e Europa, entre agosto e dezembro de 2007. Indagado sobre esse uso das passagens, Inocêncio disse: "A família é sagrada".

Leandro Sampaio (PPS-RJ), suplente de terceiro-secretário: usou passagens da Câmara para bancar viagens de familiares para Alemanha, Chile e Buenos Aires.

Odair Cunha (PT-MG), terceiro secretário e responsável pelas passagens aéreas da Câmara: usou a cota em benefício de Geraldo Silva, que viajou de Buenos Aires ao Rio. Também emitiu duas passagens para o ex-ministro e seu conterrâneo Nilmário Miranda (Direitos Humanos), em 2008.

Nelson Marquezelli (PTB-SP), quarto secretário: emitiu passagens para ir a Nova York com a mulher e três bilhetes aéreos para uma família de sobrenome Leroy ir a Buenos Aires.

Manoel Júnior (PSB-PB), quarto suplente de secretário: foi a Buenos Aires.

No dia 19.abr.2009, a "Folha" (aqui - para assinantes) divulgou lista adicional com deputados ilustres na farra das passagens aéreas, incluindo presidentes nacionais e lideres de partidos políticos. São eles:

Ricardo Berzoini (PT-SP), presidente nacional do PT: emitiu em dezembro de 2007 um bilhete para Buenos Aires, capital argentina, para sua filha Natasja Berzoini. Procurado pela Folha, não respondeu.

Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente nacional do DEM: levou a mulher e a filha para Nova York (EUA). Bancou também uma passagem aérea para sua prima Anita para o mesmo destino. "Ela foi resolver um problema particular de saúde", disse Maia à Folha. Ele reconheceu que a viagem a Nova York foi a turismo. Também levou a mulher a Paris, mas alegou ter sido em missão oficial a Londres, com escala na capital francesa. O deputado disse à Folha que a viagem a Londres foi para participar de uma missão oficial com o príncipe Charles e encontros com integrantes do partido conservador britânico. "Foram viagens em que coincidiram passeio e trabalho", afirmou.

Ciro Gomes (PSB-CE), ex-candidato ao Planalto em 1998 e em 2002: teria emitido 2 passagens para Nova York, uma em dezembro de 2007 e a outra em abril de 2008, para sua mãe, Maria José Gomes. Procurado pela Folha, Ciro não respondeu. Mandou depois carta ao jornal (aqui - para assinantes) dizendo ser "mentira" que ele teria pago passagem para a mãe viajar a Nova York. "Ela viajou comigo e pagou a sua própria passagem", disse. A Folha respondeu dizendo "na relação de viagens custeadas com recursos da Câmara, há dois bilhetes emitidos da cota do deputado [Ciro Gomes] em nome de Maria José Gomes para Nova York: um trecho emitido em 19/12/2007 e outro em 28/4/2008. Elaborada pelo Ministério Público Federal, a partir de informações prestadas pelas companhias aéreas, a lista foi encaminhada ao presidente da Câmara, Michel Temer".

No dia 18 de maio, porém, a TAM admitiu que errou na cobrança das passagens aereas (aqui) do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) e de sua mãe, Maria José Gomes, para um voo de São Paulo para Nova York.

Leia a nota da TAM:

"A TAM esclarece que houve uma inversão entre os documentos de crédito particulares (pessoa física) da família do deputado federal Ciro Gomes e aqueles emitidos com recursos da sua cota parlamentar de passagens. O deputado e sua mãe, Maria José Gomes, embarcariam no mesmo voo, na mesma data, para Nova York. No momento da emissão dos bilhetes, a loja da companhia em Fortaleza trocou, inadvertidamente, os documentos de crédito, emitindo as passagens de Ciro Gomes com créditos particulares da família e os bilhetes de Maria José Gomes com documentos de crédito oriundos da cota parlamentar.

A TAM, no intuito de esclarecer o fato e garantir a integridade das informações prestadas, informa que enviará ofício ao Ministério Público Federal - autoridade que requisitou à companhia as informações relativas às passagens emitidas com uso da cota parlamentar dos deputados federais - com as devidas explicações.

TAM Linhas Aéreas"

Conclusão (até 19.maio.2009): Esse caso envolvendo Ciro Gomes, sua mãe e a TAM demontra que vigora uma completa bagunça administrativa no Congresso e nas companhias aéreas. Aliás, as companhias aéreas devem ser responsabilizadas por essas informações divulgadas de maneira errada.

Mário Negromonte (PP-BA), líder do PP na Câmara: levou 5 familiares para Nova York. Sua justificativa: "Eu fiz economia nesses trechos [para sua base eleitoral]. Deixei de viajar, usei milhas, viajei de madrugada com passagens mais baratas. As viagens [a Nova York] foram com essa diferença", diz. "Se fosse proibido, a Casa não permitiria".

José Genoino (PT-SP), ex-presidente nacional do PT: deputado que deixou a direção do PT na esteira do escândalo do mensalão, em 2005, usou passagens para ele, a mulher e o filho para Madri.

Armando Monteiro Neto (PTB-PE), presidente da Confederação Nacional da Indústria: emitiu bilhetes para a mulher, a filha e o filho para lugares distintos: Santiago, Madri e Buenos Aires. O deputado disse à Folha que a emissão das passagens se sustenta em normas da Câmara.

Eunício Oliveira (PMDB-CE), ex-ministro das Comunicações e ex-líder do PMDB: bancou com recursos da Câmara, em setembro de 2008, passagens para Miami para a mulher e a filha.

Vic Pires (DEM-PA), ex-candidato a corregedor da Câmara: não se limitou a usar a cota aérea apenas para familiares: agraciou até o namorado de sua filha com uma viagem a Miami. O deputado confirmou as viagens: "Na regra antiga, podia. Agora, se tiver de devolver, vou devolver. É preciso discutir o que ocorre com os créditos não usados".

José Carlos Aleluia (DEM-BA), ex-líder do DEM: viajou com a mulher e o filho para Paris e Londres. Alega ter ido em missão oficial para a capital inglesa, passando por Paris. E mais: "Não há nada de errado nisso. Se a Câmara mantiver a possibilidade de levar parente, vou continuar levando minha mulher. E se eu achar importante, também levarei meu filho".

No dia 20 de abril, o site Congresso em Foco divulgou uma lista adicional do uso de passagens ao exterior por outros deputados. Sao eles:

Dagoberto Nogueira (PDT-MS), 40 viagens;

Léo Alcântara (PR-CE), 35 viagens;

Marcelo Teixeira (PR-CE), 35 viagens;

Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), 29 viagens;

Jilmar Tatto (PT-SP), 28 viagens;

Pedro Fernandes (PTB-MA), 28 viagens;

George Hilton (PP-MG), 27 viagens;

Vic Pires Franco (DEM-PA), 27 viagens;

Aníbal Gomes (PMDB-CE), 24 viagens;

Eduardo Lopes (PSB-RJ), 24 viagens;

Eugênio Rabelo (PP-CE), 24 viagens;

Paulo Henrique Lustosa (PMDB-CE), 24 viagens;

Mário Negromonte (PP-BA), 23 viagens;

João Carlos Bacelar (PR-BA), 22 viagens;

Leandro Sampaio (PPS-RJ), 22 viagens;

Maurício Trindade (PR-BA), 20 viagens;

Rebecca Garcia (PP-AM), 20 viagens;

Roberto Balestra (PP-GO), 20 viagens;

Roberto Britto (PP-BA), 20 viagens.

No dia 22 de abril, o site Congresso em Foco divulgou uma contabilidade afirmando que 261 deputados fizeram 1.881 viagens ao exterior de janeiro de 2007 a outubro de 2008. Entre outros, os destinos foram Miami e Nova York (Estados Unidos), Paris (França), Londres (Inglaterra), Milão e Roma (Itália), Bariloche e Buenos Aires (Argentina) Madri (Espanha), Frankfurt (Alemanha), Santiago (Chile), Montevidéu (Uruguai) e Caracas (Venezuela). Confira aqui a lista completa.

No dia 26 de abril, o jornalista Elio Gaspari mostrou que os cinco deputados no topo da lista eram milionários. (leia aqui)

No dia 01 de maio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou de "hipocrisia" as críticas à farra dos bilhetes aéreos no Congresso. "Existe uma hipocrisia muito grande nessa história da Câmara. Sempre foi assim. Não vejo onde está o tamanho do crime em levar a mulher ou o sindicalista para Brasília", disse ele. (leia aqui)

Lula admitiu ainda que usou a cota de passagem aérea da Câmara, quando foi deputado federal, para levar sindicalistas para Brasília. "Não acho crime deputado dar passagem para o dirigente sindical ir a Brasília. Eu, quando era deputado em Brasília, muitas vezes convoquei dirigentes da CUT e de outras centrais para se reunirem [lá] com passagens no meu gabinete", disse Lula. Lula afirmou que nunca usou as cotas de passagens para levar parentes para o exterior. "Graças a Deus não levei nenhum filho meu para a Europa. Mas acho que o deputado levar mulher para
Brasília, qual é o crime?", questionou.

Segundo Lula, os problemas do Brasil seriam fáceis de resolver se fossem só esses. "O problema do Brasil não é esse. Isso pode ser corrigido por decisão da Mesa [Diretora da Câmara]", disse. "Esse não é o mal do Brasil. Se o mal do Brasil fosse esse, o país não teria mal".

Para o presidente, a mídia está dando importância demais para o caso da farra das passagens. "A imprensa está dando dimensão demais para uma coisa que pode ser corrigida pela Mesa. Isso já está na imprensa há mais ou menos um mês".

Assista aqui abaixo as declarações de Lula sobre a farra aérea no Congresso. O presidente deu duas entrevistas. A primeira, em 30 de abril, no Rio. A segunda, em 01 de maio:









Veja abaixo vídeo do UOL Notícias em que deputados explicam o porquê do uso da cota:



O que aconteceu?

O deputado Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB-ES) foi o único dos deputados que fizeram viagens internacionais a devolver o dinheiro à Câmara. Segundo o site Congresso em Foco (aqui), ele teria devolvido R$ 2.717,32, valor da passagem aérea que sua esposa utilizou em 2007, quando o acompanhou à Alemanha.

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