UOL Notícias
 

02/06/2010 - 09h00

Nelson Bacic Olic: Israel trabalha com a teoria do fato consumado

Raquel Maldonado
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Apesar das diversas críticas feitas pela comunidade internacional contra o ataque israelense a um comboio que levava ajuda humanitária à faixa de Gaza, o Estado israelense não deve sofrer nenhum tipo de punição – mas as relações com os EUA e Turquia, porém, devem ser afetadas. Esta é a opinião do geógrafo e um dos editores do jornal Mundo, Geografia e Política Internacional, Nelson Bacic Olic.

“De certa maneira, Israel está levando em conta que a comunidade internacional vai espernear durante alguns dias, mas, no final de tudo, vai ficar por isso mesmo. O governo está acreditando que as pessoas vão esquecer depois de algum tempo”, afirma o especialista.

“Israel tem como teoria a teoria do fato consumado. A coisa acontece e fica por isso mesmo. Em um primeiro momento há um forte apelo internacional generalizado, mas o tempo passa, as pessoas esquecem e um outro conflito aparece no lugar”, complementa Olic, que também é um dos autores do livro “Oriente Médio e a Questão Palestina”.

O analista aposta, entretanto, em um enfraquecimento nas relações entre EUA e Israel. “A relação entre os EUA e Israel, que vem se mantendo muito forte ao longo do tempo, desde a criação do Estado de Israel, parece que está sendo solapada por conta do atual governo do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu”, afirma.

Apesar do cenário negativo na relação entre os dois Estados, Olic afirma que os EUA seguirão impedindo uma condenação contra Israel por parte do Conselho de Segurança da ONU.

“O Conselho de Segurança representa a comunidade internacional, que é formada por alguns países que fecham com Israel. Encabeçam a lista os EUA, com um respaldo de muitos aliados que, de certa maneira, não querem ir mais fundo no problema. Obviamente, como o sistema de votação do Conselho é um sistema que precisa, obrigatoriamente, de consenso, é muito difícil aprovar alguma resolução contra o Estado de Israel”, conclui.

Após reunião de 12 horas nesta segunda-feira (31), o Conselho de Segurança lamentou a perda de vidas e condenou os atos sem, entretanto, condenar Israel.

“Talvez os EUA sejam o país que poderia fazer alguma coisa um pouco mais séria contra Israel. O governo americano se declarou chocado com o que aconteceu, mas ficou por isso mesmo. Até agora não se imagina que haja algum tipo de sanção por parte dos EUA ou até mesmo por parte de países europeus”.

 

 

Para Olic, talvez o preço mais alto que Israel terá de pagar em termos internacionais por conta do ataque seja o afastamento com a Turquia.

“A Turquia, dentro do mundo islâmico, era o país que mantinha uma relação mais próxima com Israel. Talvez os turcos pudessem ser um elemento de diálogo importante para fazer uma ponte entre ideias do Ocidente e ideias do mundo islâmico”.

Na opinião do analista, um novo cenário somente seria possível se a vontade de mudança partisse da própria sociedade israelense.

“Talvez as coisas pudessem mudar se houvesse um movimento dentro de Israel, por parte dos próprios israelenses. Mas acredito que eles estão, de certa maneira, conformados com o que está acontecendo. Tenho a impressão de que a sociedade israelense ficou um pouco amortecida e atualmente aceita sem questionar o que o atual governo está fazendo”, afirma.

“Penso que talvez uma forma de melhorar um pouco a situação seria que, nas próximas eleições em Israel, vencesse um candidato que se dispusesse a ampliar o diálogo com os palestinos e abrir um pouco as relações de Israel com o mundo árabe. Mas, infelizmente, não vejo isso tão claramente por conta justamente da sociedade israelense que está acomodada com a situação que vive hoje com os palestinos”, declara.

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