UOL Notícias
 

11/11/2009

Sarney diz que doutrinou militares para evitar reação contra Lula e Brizola em 1989

Do UOL Notícias Em São Paulo
Para José Sarney, "alguma coisa poderia acontecer". Porque estava "o clima atritado por razões históricas". Afinal, havia uma "restrição muito grande contra Brizola e Lula".

Com essas expressões, o ex-presidente explica por que conversou com os líderes militares antes da eleição que marcaria a volta do Brasil à democracia, na primeira eleição direta para o Planalto em quase 30 anos.


"Pensam que a transição democrática foi muito fácil. Foi difícil, criamos uma engenharia política", afirmou Sarney, 79, em entrevista ao jornalista Fernando Rodrigues, colunista do UOL Notícias em Brasília.

O político e escritor maranhense tomou posse na Presidência em 1985 após ser eleito de forma indireta (colégio eleitoral formado por parlamentares) como vice do pemedebista Tancredo Neves. Tancredo morreu antes de assumir o poder em 1985.

Para o hoje presidente do Senado, sua "visão de estadista" e "grande persistência" foram importantes para que se completasse a transição da ditadura para a democracia. Sarney conta que dormiu em quartéis e escolas militares para conversar com os representantes das Forças Armadas. "Podíamos ter problemas porque eu sentia que não existia um amadurecimento", declarou na entrevista.

RETRATO DA VOLTA À DEMOCRACIA

  • Marcelo Zocchio/Folha Imagem

    Em parede de São Paulo, cartazes de Collor cobrem os de Lula na disputa de segundo turno

O mandatário entre 1985 e 1990 preferiu desconversar quando o assunto foi sua articulação para lançar o apresentador Silvio Santos pelo PFL como forma de atrapalhar o favorito Fernando Collor, que criticava fortemente a gestão Sarney.

"Eles caíram em uma casca de banana do próprio Sílvio Santos", disse, sobre a atuação de políticos próximos a ele, como Edison Lobão (atual ministro das Minas e Energia de Lula), que tentaram trocar o cambaleante candidato pefelista, Aureliano Chaves, pelo apresentador de TV e dono do SBT nas vésperas do primeiro turno.

"Aquilo nunca foi uma coisa séria. Aquilo não modificaria o resultado da eleição", analisou Sarney. Santos depois tentou se lançar por um partido nanico, mas sua candidatura foi impugnada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), apenas uma semana antes do primeiro turno.

Recentemente envolvido em denúncias de nepotismo e irregularidades à frente da presidência do Senado, Sarney lembra sua passagem pelo palácio do Planalto como uma transição tranquila para a total democracia do país. "Entreguei o país com uma tranquilidade absoluta."

Desgastado por planos econômicos fracassados, Sarney acabou não tendo papel influente em sua campanha sucessória.

Em 1989, estava longe o entusiasmo de 1986 dos "fiscais do Sarney", durante o Plano Cruzado, que terminou com a volta da inflação e do desemprego, assim como aconteceria com os planos Bresser e Verão, comandado pelo economista Maílson Nóbrega.

"O governo não estava popular, mas não havia um ódio ao presidente", prefere lembrar Sarney.




Sarney diz que tentou fazer o PFL (hoje DEM) se aliar ao PMDB, os partidos que davam base a sua gestão. Entretanto, cada partido lançou candidato próprio, e com dois veteranos. O PFL escolheu Aureliano Chaves, vice-presidente no governo militar de João Figueiredo. Já o PMDB foi de Ulysses Guimarães.

"Eu me isolei na campanha. Não tomei parte. Não me deram espaço para fazer a chapa Ulysses-Aureliano, me concentrei todo em que a eleição não tivesse problemas e abandonei o nome dos candidatos", relatou na entrevista.

Mas Sarney lembra também que apoiou o então governador goiano Iris Resende nas primárias do PMDB. Derrotado, viu Ulysses romper com o governo. "Ulysses cometeu o grande erro da vida. Se ele não tivesse rompido comigo em 1989, teria no mínimo entre 15% e 20%, o que qualquer candidato com as forças do governo teria", opinou o maranhense, desafiando uma percepção generalizada sobre sua baixa popularidade à época.

CONFIRA ÍNTEGRA DA ENTREVISTA COM JOSÉ SARNEY


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