UOL Notícias
 

12/11/2009

'Eu nunca falo no PT', conta compositor da música e da letra do jingle 'Lula-lá'

Haroldo Ceravolo Sereza Do UOL Notícias Em São Paulo
No começo de 1989, o músico Hilton Acioly, que havia criado os jingles eleitorais de Luiza Erundina e Celso Daniel - campanhas petistas vencedoras em 1988 respectivamente em São Paulo e Santo André - recebeu uma missão. O publicitário Paulo Tarso Santos pediu para que ele criasse uma música para a campanha presidencial de Lula e lhe sugeriu a ideia de brincar com o nome do candidato.

"Anotei [o Lula-lá] por educação", conta. Acioly, que além de compositor é professor de música, vive em São Paulo, numa rua tranquila e sem trânsito da Vila Madalena. Na sua sala, um piano, que não usa.

Acioly conta a história do 'Lula-lá' e toca outro jingle da campanha petista

Foi uma campanha cheias de "lás": o jingle de Leonel Brizola (PDT) martelava o "Lá, lá, lá, lá, lá, Brizola/ Lá, lá, lá, lá, lá, Brizola" com coro infantil, enquanto o de Guilherme Afif Domingos (PL) prometia: "Juntos chegaremos lá/ Fé no Brasil". Mas o "lá" que pegou, musicalmente, foi o de Lula, o jingle "Lula-lá". Pegou tanto que, até hoje, aquele que realmente chegou "lá", Fernando Collor (PRN), ainda canta a música e diz ter perdido o sono por causa dela.

Depois de anotar o "Lula-Lá" por educação, Acioly concluiria que não "havia nada melhor" e começou a trabalhar numa composição. Primeiro saiu um samba-exaltação, que fala dos "planaltos, rios, verde-mares" do país: "Vai lá e vê que a alegria já esperou demais".

Ele já usava a ideia do "Lula-lá", num de seus trechos. Depois de concluí-la, no entanto, veio uma nova canção, o "Lula-lá" definitivo. Apresentadas as duas para o comando petista, "não deu outra": "Lula-lá" emplacou, e o outro samba seria usado, mas de modo discreto.

Assista a jingles dos candidatos Collor (PRN), Lula (PT), Ulysses (PMDB), Brizola (PDT), AFIF (PL), Affonso Camargo (PTB), Aureliano Chaves (PFL), Mário Covas (PSDB) e Silvio Santos (PMB)

"Eu nunca falo no PT", diz Acioly. "O Paulo vivia brigando comigo: 'Meu, o cliente é o PT, você não fala nele?".

De 1989 para cá, o que mudou na política brasileira?

Para Acioly, usar o nome de um partido, qualquer que seja, "brocha". A música pode até pegar, avalia, mas não dá "estofo" para o candidato.

Acioly diz que não ganhou dinheiro com a música do Lula. Fez de graça. O dinheiro veio depois, quando passou a ser convidado por outros políticos para fazer jingles. "Essa música ficou 13 anos em cartaz, de 1989 a até 2002, né?", diz. "Foi uma vitrine."






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