UOL Notícias
 

14/11/2009

Candidatura de 1989 foi de 'sacrifício', diz Gabeira, que quase foi vice de Lula

André Naddeo Do UOL Notícias No Rio de Janeiro
Hoje líder do PV na Câmara dos Deputados, Fernando Gabeira quase foi vice de do hoje presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 1989.

  • Carlos Goldgrub/Folha Imagem

    O hoje ministro Carlos Minc discursa em encontro do PV que lançou Gabeira para vice de Lula

"O PT tinha aprovado na assembleia, mas havia dois outros partidos que deveriam dar a sua opinião [PC do B e PSB, que apoiaram Lula]. E eles deram uma opinião contrária, acharam que a minha presença como vice não fortalecia, preferiram um candidato com perfil diferente. Daí eles terem apresentado um candidato próprio", diz Gabeira, que perdeu o posto na época para o então senador José Paulo Bisol (PSB).

Preconceito por Gabeira defender, na época, a legalização da maconha? "Teve alguma coisa, mas isso foi o lado mais digamos aparente da coisa. Eu acho que havia também uma visão política diferente. Eu acho que o PT naquele momento e as forças políticas brasileiras valorizavam mais essas forças tradicionais da esquerda do que um partido que estava surgindo com uma proposta nova. E confiavam mais na viabilidade eleitoral deles do que na nossa. Portanto, fizeram uma escolha bastante fria e racional", acha Gabeira.

Gabeira e o PV optaram, então, por seguir um caminho próprio. Mas o terceiro lugar nas eleições para governador do Rio de Janeiro três anos antes não foi suficiente para erguer uma candidatura em nível nacional. Gabeira obteve apenas 125.785 votos, menos de 0,2% dos votos.

Os candidatos que tiveram menos votos em 1989

O que deu errado? "Eu fiz uma candidatura que eu considero de sacrifício. O tempo de televisão era muito curto, e a possibilidade de trabalhar [fazendo campanha] pelo Brasil muito pequena. Os recursos eram muito precários a ponto de você nem ter dinheiro para o táxi em certas situações", relembra. "Nem eu considerava, nem os eleitores consideraram, ficou bastante claro. Mas eu achava que nem sempre você no primeiro turno tem uma candidatura voltada a vencer necessariamente. Como foi naquele momento, era uma candidatura visando ter alguma força para continuar o trabalho", explica.

VOTAÇÃO BAIXA
"Eu acho que a votação expressa exatamente a capacidade que a gente tinha naquele momento. Nós estávamos começando. Eu vinha de uma campanha no Rio de Janeiro onde eu tinha tido uma votação muito grande. Mas o lançamento da candidatura presidencial foi apenas para manter o partido ali, não havia realmente condições de crescer mais do que isso."

LULA X COLLOR
"Eu sempre apoiei o Lula em todas as eleições. Eu considerava o Collor um candidato muito mais fabricado. Fabricado no sentido de ele ter tomado uma série de posições lá de combate aos marajás e ter projetado uma imagem de uma pessoa que iria mudar o país e mais ainda: estava totalmente fora do sistema político brasileiro. Era um outsider, que vinha de fora para consertar tudo. Eu acho que isso não era verdadeiro. O movimento social e o movimento democrático havia acumulado sobretudo na esquerda e na parte do PT naquele momento".

EDIÇÃO DO DEBATE DA GLOBO
"A impressão que eu tenho é que a edição prejudicou. Mas eu não posso mensurar, não posso dizer qual o peso que ela teve no processo. Você pode até dizer que não foi intencional, mas o resultado foi esse".






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