UOL Notícias
 

14/11/2009

Ronaldo Caiado, candidato do cavalo branco, tentou ser o anti-Lula

Piero Locatelli Do UOL Notícias Em Brasília
Os ex-presidentes José Sarney e Fernando Collor deixaram de lado as brigas que tinham com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 1989, mas nem todos os embates com o petista foram esquecidos com o tempo.

Os candidatos que tiveram menos votos em 1989

Candidato à Presidência pelo nanico PSD em 1989, Ronaldo Caiado é hoje líder do DEM na Câmara dos Deputados e uma das vozes mais fortes contra Lula no Congresso Nacional.

"Meus inimigos eram... o Lula", relembra ele.

Caiado representava a antítese do líder sindicalista. Goiano de Anápolis, é lembrado como um candidato da direita montado em um cavalo branco. Caiado refuta os dois rótulos.

"Eu saí montado a cavalo, no trator, no caminhão, a pé na Esplanada dos Ministérios. Mas essa figura é que ficou, vamos dizer, mais vinculada", diz Caiado. Médico ortopedista, ele diz ter aparecido até no centro cirúrgico na propaganda eleitoral.

Sobre ter sido chamado de conservador e de extrema-direita, diz ele: "Isso é um preconceito com o qual, infelizmente, eles trabalharam duramente contra minha imagem na campanha."

Caiado gosta de ser lembrado como um candidato do interior. Mais jovem entre os 21 aspirantes ao cargo, tinha 40 anos. Lembra que aquela idade o permitia passar por seis Estados ou fazer 16 comícios num único dia.

RETRATO DA VOLTA À DEMOCRACIA

  • Marcelo Zocchio/Folha Imagem

    Em parede de São Paulo, cartazes de Collor cobrem os de Lula na disputa de segundo turno


O goiano nunca havia participado de uma eleição. Quis candidatar-se à Presidência da República após organizar os produtores rurais em torno da União Democrática Ruralista (UDR).

A entidade foi criada em resposta às primeiras tentativas do governo Sarney de desapropriar terras e fazer a reforma agrária. A UDR atuou na Assembleia Constituinte de 1988 para barrar a redistribuição de terras -e obteve sucesso.

"Se não tivesse tido essa atuação à época da constituição da UDR, o Brasil poderia caminhar quase para um processo de guerra da secessão", diz Caiado.

A atuação bem sucedida na Constituinte não trouxe tanto sucesso nas urnas. Caiado teve 488.846 votos (0,72%), terminando o pleito no 10º lugar.

Ele diz não se arrepender do apoio a Collor no segundo turno, pois apoiaria "qualquer um" contra Lula.

"Não interessa se fosse Collor, ou até o Brizola, o Mário Covas. Qualquer um que chegasse no segundo turno a posição nossa seria de apoio ao outro", lembra.

Seu maior embate com Lula foi em um debate na TV Bandeirantes em 16 de outubro daquele ano. Caiado denunciou a administração petista em São Paulo por supostamente favorecer uma empresa, a Lubeca, em troca de propinas. O cavalo branco foi o estopim do caso.

"Quando eu formulei uma pergunta [...] ele [Lula] partiu com aquelas 'vá tratar do seu cavalo branco' ou alguma coisa assim no sentido de ironizar", relembra Caiado. "Mas meu cavalo branco come nos meus pastos. E vossa excelência come nos pastos da Lubeca", retrucou.

O escândalo levou à saída de Luiz Eduardo Greenhalgh da vice-prefeitura paulistana.






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