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02/07/2010 - 19h10 / Atualizada 02/07/2010 - 20h35

Depois das enchentes, agora é a sujeira que ameaça a saúde da população de Murici (AL)

Ivan Richard
Da Agência Brasil
Em Murici (AL)

A sujeira provocada pela enchente que destruiu grande parte do município alagoano de Murici há duas semana fez com que o número de atendimentos no único hospital da cidade mais que dobrasse nos últimos dez dias. Esse aumento está diretamente ligado à suspeita de casos de leptospirose, doenças respiratórias e de pele.

Segundo o diretor-geral do Hospital Dagoberto Uchôa de Almeida, Francisco de Assis Barbosa, entre o dia 18, quando ocorreu a primeira enxurrada, e a última quarta-feira (30) foram atendidas 1.593 pessoas. Mais da metade da média mensal de atendimentos, que é de 2.6 mil.

“A tendência é que esse número cresça ainda mais com o passar dos dias com a falta de água potável e de higiene nos abrigos improvisados para atender a população”, alertou Barbosa. De acordo com ele, o número de exames laboratoriais também saltou depois da catástrofe. Em 10 dias foram feitos 2.245 exames, enquanto a média mensal não passa de 2.5.

Com a filha de três meses no colo, a dona de casa Vera Maria Veronilde foi uma das que procuraram hoje (2) o hospital de Murici. “Ela está bem gripada. Com certeza é por causa da poeira e da sujeira”.

Além do hospital, Murici, que fica a 50 quilômetros de Maceió, conta também com uma unidade de saúde do Exército. Instalada na cidade desde o último dia 30, atende, em média, 200 pessoas por dia. “São consultas, curativos e aferição da pressão e de glicose”, disse o tenente Hilton Medeiros, um dos coordenadores do posto que fica no centro do município, ao lado do hospital. Para o militar, a preocupação com a leptospirose ainda vai se estender por mais de um mês. “O problema é que a leptospirose pode aparecer em um período de até 40 dias”, explicou.

Outra preocupação após a enchente é com a presença de animais peçonhentos, como cobras e escorpiões. Hoje, em uma das ruas que foi arrasada pelas chuvas, um grupo de amigos se assustou com a presença de uma cobra. “Das grandes, atravessou a rua e me assustei. Se ela pega alguém, já era”, disse o desempregado José Cícero Ferreira.

Com população de aproximadamente 26 mil pessoas, Murici teve mais de 9 mil moradores atingidos pelas enchentes. Até o momento, as chuvas no Nordeste provocaram 57 mortos, mais de 50 mil desabrigados e cerca de 100 mil desalojados. Em Alagoas, quatro municípios decretaram situação de emergência e 15, estado de calamidade pública. Em Pernambuco, 27 estão em situação de emergência e 12 em estado de calamidade pública.

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