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13/07/2010 - 12h13 / Atualizada 13/07/2010 - 15h04

Falta de mão de obra qualificada pode atrasar reconstrução de Alagoas

Carlos Madeiro
Especial para o UOL Notícias
Em Maceió

Além de conseguir recursos e encontrar áreas habitáveis longe dos rios, a reconstrução dos municípios alagoanos destruídos pelas enchentes terá ainda outro desafio: superar a falta de mão de obra qualificada para dar conta dos serviços.

Diante de uma destruição inédita no Estado, o setor da construção civil corre contra o tempo para qualificar pessoas, mas especialistas prevêem dificuldades e até mesmo atraso nas obras.

O Sindicato da Indústria da Construção (Sinduscon) de Alagoas iniciou uma série de treinamentos para tentar formar profissionais até o fim do ano, para suprir a necessidade do Estado.

“Estamos ciente da situação e da importância do setor nesse momento. Formamos agora 1.650 pessoas, que já saíram dos cursos de qualificação empregados. Até dezembro, nossa meta é qualificar – e empregar de imediato – 6.000 pessoas, em diversas funções”, explicou o presidente do Sinduscon, Marcos Holanda.

O empresário explica que antes das enchentes o setor já enfrentava graves dificuldades para encontrar funcionários como carpinteiros e mestres de obra. Prova disso são os números de empregos no setor. Segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), em 2009, a construção civil liderou, pela primeira vez na história, o ranking de geração de empregos formais em Alagoas. Foram 3.674 novas vagas, superando comércio, turismo e usinas de cana-de-açúcar, setores que sempre dominaram a economia local.

Segundo a Secretaria de Estado da Infraestrutura, será necessária a construção de 18.500 casas, além de centenas prédios públicos, como as 58 escolas e 45 postos de saúde atingidos pelas cheias. A meta do governo é reconstruir a parte de infraestrutura atingida até dezembro, deixando para 2011 apenas a conclusão das casas.

As obras vão custar R$ 954 milhões e devem ter início até o começo de agosto. Ao todo, 28 municípios tiveram problemas com as cheias dos rios, sendo que 15 deles decretaram calamidade pública. Vinte e sete pessoas morreram, 29 desapareceram e mais de 70.000 ficaram desabrigadas ou desalojadas no Estado.

Aquecido pelas obras federais e financiamentos habitacionais, o setor da construção civil alagoana já sofria com a carência de trabalhadores para funções mais especializadas antes mesmo das enchentes. Se a situação até junho era de escassez, com a tragédia das cheias a situação se transformou em um grande problema.

O presidente do Sinduscon lembra que a construção civil deve contribuir com a retomada econômica dos municípios mais afetados. “Estamos nos preparando para esse novo cenário que surgiu pós-enchentes. As empresas de Alagoas estão aptas para atender essa demanda, por isso estamos qualificando o máximo de pessoas para que possamos dar conta dos serviços, para que possamos aquecer ainda mais o setor e empregar pessoas. Acredito que vamos conseguir atender a tudo”, garantiu.

 Necessidade de “importação”

Apesar da expectativa positiva do Sinduscon, a economista Luciana Caetano acredita que Alagoas terá dificuldades por conta da falta de qualificação profissional. “Com certeza a situação é preocupante pela urgência das obras. E você não resolve isso de uma hora para outra; logo, teremos alguns atrasos em obras. Já tínhamos um problema grande de falta de mão-de-obra mais especializada, imagine agora que temos a necessidade de centenas de obras que devem ser feitas ao mesmo tempo”, disse.

Segundo ela, será necessário -- pelo menos em alguns momentos -- “importar” mão-de-obra de outros Estados. “A reconstrução das cidades terá uma necessidade maior de qualificação, de integração de conhecimentos. Haverá uma demanda de trabalho intelectual e hoje essa é a principal carência aqui. A sorte é que a construção é executada quase que totalmente por mão-de-obra de força apenas, ou seja, pouco qualificada, e essa é mais simples de conseguir. Mas eles sozinhos não dão conta do serviço”, ressaltou.

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