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PNAD

Pesquisa Nacional
por Amostra de Domicílios

Pesquisa feita em domicílios do país para coletar dados como migração,
educação, rendimento, trabalho infantil e fecundidade, entre outros

  • Imagem: PNAD
08/09/2010 - 10h00 / Atualizada 08/09/2010 - 13h48

Pela primeira vez em seis anos, cai o percentual de domicílios com acesso à rede de esgoto

Guilherme Balza
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Ao contrário da maioria dos indicadores sobre acesso a serviços essenciais, o percentual de domicílios brasileiros que possuíam ligação com a rede de esgoto caiu 0,2 pontos percentuais entre 2008 e 2009, segundo a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), divulgada nesta quarta-feira (8) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em seis anos, é a primeira vez que há queda nesse indicador. O acesso à água encanada, à coleta de lixo e à luz elétrica, em contrapartida, cresceu.

Técnicos do instituto entrevistaram 400 mil pessoas, que residem em 154 mil domicílios, situados em 851 municípios de todas as unidades federativas do país. Também foram divulgados dados sobre população, migração, educação, trabalho, família, entre outros.

Percentual de casas atendidas

  1992 2009
Rede de esgoto 46,4% 59,1%
  1981 2009
Água encanada 60,1% 84,4%
Coleta de lixo 49,2% 88,6%
Luz elétrica 74,9% 98,9%

Em 2008, 59,3% das moradias pesquisadas possuíam rede de esgoto ou fossa séptica ligada à rede, percentual que caiu para 59,1% em 2009. Em contrapartida, subiu, entre 2008 e 2009, o percentual de domicílios com acesso à rede geral de abastecimento de água (83,9% para 84,4%), à coleta de lixo (87,9% para 88,6%) e à iluminação elétrica (98,6% para 98,6%), outros serviços considerados essenciais.

Segundo o IBGE, o número de domicílios no Brasil cresceu de 57,6 milhões, em 2008, para 58,6 milhões no ano passado, o que significa que aproximadamente 23,9 milhões de unidades não possuíam, em 2009, acesso à rede de esgoto.

Domicílios com rede de esgoto

Região 2008 2009
Norte 15% 13,5%
Nordeste 35,4% 33,8%
Centro-Oeste 39,7% 39,2%
Sul 55,6% 57,3%
Sudeste 85,1% 85,6%
Brasil 59,3% 59,1%

O destino do esgoto de 20,6% das casas do país era, em 2009, fossas rudimentares, onde não é feito qualquer tipo de tratamento dos dejetos e não há aproveitamento da água. Já em 13,2% das residências o esgoto ia para fossas sépticas sem ligação com a rede coletora, destino em que o esgoto passa por algum tratamento e a água é absorvida pelo próprio terreno.

Os 59,1% dos domicílios com acesso à rede geral de esgoto se dividiam entre os que possuíam um sistema de coleta que conduz o esgoto para um desaguadouro geral (52,5%) e os que utilizavam fossas sépticas nas quais o esgoto passa por algum tratamento e somente a parte líquida é canalizada para um desaguadouro geral da área (6,6%).

Desigualdades regionais

Entre 2008 e 2009, a queda no percentual de casas atendidas por rede de esgoto foi ainda mais acentuada no Norte e no Nordeste, regiões em que, historicamente, a população é mais desprovida de saneamento básico. Em 2008, apenas 15% das casas estavam ligadas à rede de esgoto na região Norte, fatia que caiu para 13,5% no ano passado.

Domicílios com acesso à rede de esgoto

Estado 2009
Amapá 1,3%
Piauí 5,9%
Rondônia 6%
Pará 10,8%
Minas Gerais 78,7%
Rio de Janeiro 84,6%
Distrito Federal 88,9%
São Paulo 90,8%

Já no Nordeste, o índice variou negativamente de 35,4% para 33,8% e, no Centro-Oeste, de 39,7% para 39,2%. Em contrapartida, na região Sudeste, o percentual de domicílios com acesso saltou de 85,1% para 85,6% e no Sul subiu de 55,6% para 57,3%.

Em 2009, o Amapá era o Estado com o menor percentual de domicílios com ligação à rede geral de esgoto, com somente 1,3% de unidades com acesso à rede via canalização ou com fossas sépticas conectadas a um desaguadouro geral. O Estado sofreu uma queda brutal em comparação a 2008, quando 5,5% dos domicílios possuíam alguma ligação com a rede de esgoto. Depois do Amapá, os Estados em pior situação nesse quesito são o Piauí (5,9%), Rondônia (6%) e Pará (10,8%).

Na ponta oposta do ranking estava São Paulo –que, em 2009, tinha 90,8% dos domicílios com acesso à rede de esgoto–, Distrito Federal (88,9%), Rio de Janeiro (84,6%) e Minas Gerais (78,7%).

Água encanada

Domicílios com acesso
à água encanada

Estado 2009
São Paulo 96,9%
Distrito Federal 95,4%
Rio Grande do Norte 88,4%
Rio de Janeiro 88,1%
Paraná 88,1%
Acre 56,4%
Pará 51%
Rondônia 39,8%

O acesso à água encanada, ao contrário do esgoto, cresceu, segundo a Pnad 2009. A pesquisa apontou que 84,4% dos domicílios brasileiros –o que representa, em números absolutos, 49,5 milhões de unidades– possuíam água encanada, contra 83,9% em 2008. No restante das casas (9,1 milhões) o abastecimento era feito por poço ou nascente, reservatório abastecido por carro-pipa, coleta de chuva ou por outras formas não especificadas.

A região Norte também é a menos assistida nesse quesito, com 58,6% dos domicílios com acesso à água canalizada em 2009, contra 58,3% em 2008. O Nordeste vem logo atrás, com 78% das unidades abastecidas –mesmo percentual de 2008. Já o Sudeste apresentava, no ano passado, o melhor desempenho nesse item, com 92,3%, seguido do Sul (85,3%) e Centro-Oeste (83%).

Assim como no acesso à rede de esgoto, São Paulo e Distrito Federal possuíam, em 2009, o maior percentual de domicílios com água encanada –96,9% e 95,4%, respectivamente. Rio Grande do Norte (88,4%), Rio de Janeiro e Paraná (ambos com 88,1%) apareciam na sequência.

Os três Estados menos assistidos eram Rondônia (39,8% de domicílios atendidos), Pará (51%) e Acre (56,4%). Na contramão da maioria dos Estados, Rondônia e Acre sofreram redução do percentual de unidades com água encanada já que, em 2008, possuíam, respectivamente, 42,3% e 56,8% de domicílios atendidos.

Coleta de lixo

Domicílios com coleta de lixo

Região 2008 2009
Nordeste 75,4% 76,2%
Norte 80,1% 82,2%
Centro-Oeste 89,2% 89,9%
Sul 90,7% 91,5%
Sudeste 95,3% 95,9%
Brasil 87,9% 88,6%

De acordo com a Pnad, 88,6% das casas (51,9 milhões, em números absolutos) eram atendidas por serviço de coleta de lixo em 2009 –contra 87,9% de 2008. Nos 11,4% domicílios restantes, o lixo produzido era queimado ou enterrado na própria propriedade, despejado em terreno baldio ou jogado no ambiente (via pública ou natureza).

Os dados apontados pelo IBGE sobre a coleta de lixo também revelam a desigualdade entre as regiões do país quando o assunto é saneamento básico. Novamente, Nordeste e Norte apresentam os piores indicadores e Sudeste e Sul os melhores desempenhos.

No Nordeste, 76,2% eram atendidos por serviço de coleta de lixo em 2009, contra 75,4% em 2008. Na região Norte, o percentual variou de 80,1% no ano retrasado para 82,2% no ano passado. No Sudeste, em 2009, 95,9% das unidades dispunham da coleta de lixo, no Sul, 91,5%, e no Centro-Oeste, 89,9%.

Luz elétrica

A pesquisa mostrou ainda que quase todos os domicílios brasileiros possuíam, em 2009, luz elétrica obtida via rede geral ou por meio de geradores ou conversores de energia solar. Somente 1,1% das residências (637 mil unidades) não dispunham de eletricidade no ano passado, contra 1,4% de 2008. Em 2004, o percentual era de 3,2% de casas sem luz.

Em São Paulo e no Distrito Federal, todas as residências possuíam energia elétrica em 2009, de acordo com a Pnad. Os Estados com os piores desempenhos nesse quesito eram Piauí (92,5% de casas com luz) e Tocantins (93,3%), segundo a pesquisa.

 

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