UOL Notícias Posse de Barack Obama: O novo presidente dos EUA
 

19/01/2009 - 07h23

"Onda Obama" contagia brasileiros nos EUA, que já reivindicam melhorias

Fernanda Brambilla
Enviada Especial do UOL Notícias
Em Washington (EUA)
Acompanhando de perto a euforia que tomou a capital americana com a chegada do novo presidente, muitos brasileiros que moram no país se viram levados pela 'onda Obama' e fizeram questão de participar das comemorações da transição política. Mas, festas à parte, não escondem que muitas mudanças são necessárias para facilitar a vida longe de casa.

Moradora de Washington há três anos e casada com um local, Naiara Leite, de 27 anos, admite a surpresa com a celebração popular com Obama. "É interessante ver como as pessoas estão empolgadas e ganharam novas perspectivas com a eleição do primeiro presidente negro", observa a baiana de Salvador.

Com o marido, o médico Koonj Shah, Naiara se rendeu aos broches da campanha de Obama já no ano passado e não hesitou em levar os irmãos, de férias no país, ao evento histórico deste domingo. O casal acabou encontrando as entradas do Lincoln Memorial bloqueadas devido a uma ação da polícia para evitar apertos. Perdeu o show, mas não se importou.

A maior preocupação da brasileira e do seu marido com a nova gestão é a política externa. "Espero que Obama passe a dar mais atenção não apenas ao Brasil, mas valorize mais a relação com a América Latina, atualmente tão desgastada", diz Naiara, que é advogada de direitos humanos. "É preciso que os Estados Unidos passem a respeitar mais essa questão, que levem pactos e tratados com maior seriedade."

Ouvindo a irmã, o garoto Gabriel Leite dispara: "Obama precisa libertar o Iraque da invasão dos Estados Unidos, não é?", diz com propriedade.

Koonj, no entanto, prefere aguardar os resultados do trabalho do novo mandatário. "É claro que estamos todos ansiosos, mas a eleição do primeiro presidente negro não é uma certeza de que as coisas vão mudar. Os americanos estavam insatisfeitos e demonstraram isso, mas ele precisará de muita energia para mudar as coisas."

  • Fernanda Brambilla/UOL

    Advogada Naiara Leite com os irmãos e o marido, que ficaram de fora do show

Encapotadas e bem 'disfarçadas' de locais, jovens brasileiras que trabalham como "au pair" (programa em que a família hospeda alguém para cuidar dos filhos em troca de estudo pago) foram prestigiar o show em homenagem a Obama, mesmo sem saber se, para elas, o presidente eleito trará boas novidades.

"Difícil saber se algo muda ou melhora. Obama será ótimo para os americanos, aliás os Estados Unidos são um ótimo país para os americanos. Mas o resto sofre. No nosso caso, por exemplo, não temos direito a assistência médica. E se vamos ao médico, eles não gostam de atender", conta Caroline Pelaccia, 24, natural de Sorocaba (SP).

  • Fernanda Brambilla/UOL

    Patrícia Rocha, entre duas amigas, curtiu o show do U2

No time das otimistas, Patricia Rocha, 23, prefere acreditar no crescimento da nação. "Obama tem idéias boas e isso vai ajudar a fazer os EUA deixarem de ser um país tão racista e egocêntrico", diz a paulistana. "Acho que melhora pra todo mundo, e pra nós também."

Há oito meses nos EUA, Patricia conta que já sofreu preconceito por ser estrangeira. "Acontece, talvez por eu não ser loira de olhos azuis", brinca a morena de olhos castanhos e pele clara. Ela lembra, no entanto, que esse histórico de intolerância pode pesar.

"Acho que as autoridades precisam estar muito preocupadas com segurança, porque tem muita gente que não gosta do Obama, muitas pelo simples fato de ele ser negro, e podem querer atrapalhar."

  • Fernanda Brambilla/UOL

    Na ordem, as amigas "au pairs" Monica Druzian, Audrey Camargo, Caroline Pelaccia, Andrea Trevisan, Fabiane Costa, Vanessa Holsback

Monica Druzian, 21, de Araçatuba (SP), já cobra promessas eleitorais. "Obama disse que vai dar crédito estudantil a estrangeiros, novos cursos...Quero só ver se ele vai cumprir!"

"Os americanos voltaram a ser patriotas, uns trouxeram até bandeiras enormes. Estão na maior loucura, todo mundo comprando camiseta do Obama", observa Andrea Trevisan, 25, há cerca de um ano longe de Vinhedo (SP), e com saudade aguda de casa. "Quero que termine esse programa logo pra eu voltar pro Brasil."

Já Vanessa Holsback, 24, de Jacareí (SP), conta que quase arrumou briga ao cogitar não participar do evento, temendo superlotação. "Meu 'host dad' achou um absurdo eu sequer pensar em não ir. 'Imagine, faltar a um acontecimento histórico como esse'", conta a estudante. "E olha que eles são britânicos..."

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