UOL Notícias Especial Retrospectiva 2008
 

16/12/2008 - 07h00

Chuva em Santa Catarina mata mais de 120 pessoas; tragédias naturais castigam vários pontos do mundo

Guilherme Balza
Do UOL Notícias
Em São Paulo (SP)

CHUVAS EM SANTA CATARINA

  • Gilmar de Souza/Agencia RBS/AP

    De barco, moradores tentam salvar objetos em Blumenau

  • Moacyr Lopes Junior/Folha Imagem

    Vista aérea mostra Itajaí completamente inundada

  • Ricardo Moraes/AP Photo

    Desabamento ameaça dezenas de casas em Blumenau

Dezenas de países foram acometidos por anomalias climáticas que resultaram em desastres de grandes proporções, ao longo de 2008: o ciclone Nargis devastou várias cidades do sudeste asiático entre abril e maio; no Caribe, em agosto e setembro, a temporada de furacões no Atlântico fez centenas de vítimas fatais; a China, por sua vez, foi atingida pelo terremoto de Sichuan, em maio, e pelo tufão Fengshen, em junho.

No Brasil, a tragédia maior ocorreu em Santa Catarina. Após quase três meses chuvosos, nos dias 22 e 23 de novembro choveu o equivalente à média histórica para o mês em diversas cidades próximas ao litoral do Estado, entre elas Blumenau, Itajaí, Joinville, Gaspar, Ilhota, Navegantes e a capital Florianópolis. Foi o mês de novembro que registrou a maior quantidade de chuvas desde que o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) começou a fazer medições em Florianópolis, em 1961.

A chuva causou a morte de 126 pessoas - vítimas de deslizamentos e inundações, principalmente -, obrigou cerca de 80 mil a abandonarem as suas casas, interditou trechos das principais rodovias, fechou o porto de Itajaí e interrompeu o abastecimento de gás em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Oito municípios chegaram a ficar isolados, 10 decretaram estado de calamidade pública e vários ficaram totalmente cobertos de água. As indústrias catarinenses estimaram perdas de R$ 358 milhões e o governo do Estado previu a perda de 15% na arrecadação anual.

A tragédia mobilizou todo o país e cerca de R$ 20 milhões foram arrecadados com doações. Para minimizar os impactos do desastre, o governo federal liberou quase R$ 2 bilhões por meio de medidas provisórias e diversos ministérios direcionaram recursos para Santa Catarina. Foi o desastre natural que fez mais vítimas fatais no Estado desde as enchentes de 1974, quando 199 pessoas morreram. Nas últimas quatro décadas, foram mais de 400 mortes em Santa Catarina em decorrência de anomalias climáticas.

De acordo com Gustavo Carlos Juan Escobar, coordenador de previsão de tempo do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (Cptec/Inpe), a quantidade incomum de chuva foi um evento anômalo, embora natural, que ocorre de tempos em tempos, ocasionado pela presença simultânea de dois fenômenos: um anticiclone (sistema de alta pressão), que se estacionou no Oceano Atlântico, provocando ventos moderados na costa; e a presença de um sistema de baixa pressão, que fez com que massas de ar subissem e formassem nuvens carregadas chuva.

Para os pesquisadores Maria Lúcia de Paula Hermman, da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), e Júlio César Wasserman, da UFF (Universidade Federal Fluminense), ainda que as características do clima e relevo catarinense facilitem esse tipo de desastre, a responsabilidade maior da tragédia foi do poder público, que ao longo dos anos não orientou as pessoas a não ocuparem regiões de risco e não preparou a população catarinense para eventos desse porte.


Fenômenos climáticos também atingem outras regiões
As alterações no clima não prejudicaram apenas o Estado de Santa Catarina em 2008. No final de novembro e início de dezembro, cidades do Espírito Santo e do norte fluminense também sofreram com inundações e deslizamentos ocasionados pelo excesso de chuva.

Em março e abril, os Estados do Nordeste, acostumados a enfrentar as secas, foram atingidos por fortes inundações. Na época, o governo federal liberou R$ 613,7 milhões para combater enchentes. No mesmo período, o Rio Grande do Sul - atingido em maio por um ciclone - sofreu com uma grave seca. Os dois eventos foram causados pelo fenômeno La Niña. De setembro a novembro, em diversos municípios de Minas Gerais foi decretada situação de emergência também por causa de estiagem.

Furacões no Atlântico
Durante os meses de agosto e setembro, os países insulares da América Central, como Cuba, Haiti, República Dominicana e Jamaica e os Estados da costa sul do litoral norte-americano, foram duramente atingidos por quatro furacões: Fay, Gustav, Hanna e Ike.

O Fay atingiu os países caribenhos e a costa sul dos EUA na segunda semana de agosto com ventos de até 100 km/h, causando cerca de 80 mortes em apenas 10 dias. O Fay foi seguido pelo Gustav, que, com ventos de até 235 km/h, foi ainda mais fatal: mais de 100 pessoas morreram, a grande maioria no Haiti, na última semana de agosto e na primeira de setembro. Poucos dias após a passagem do Gustav, a população haitiana foi castigada pelo furacão Hanna, que, embora menos intenso que o antecessor, resultou na morte de quase 550 pessoas no país.

O último furacão de grandes proporções foi o Ike, que atingiu a República Dominicana, Cuba, Haiti e EUA com intensidade máxima de 232 km/h. Cerca de 120 pessoas morreram em decorrência do furacão, a maioria, novamente, no Haiti (aproximadamente 74 mortes), e nos EUA (37 mortes). Além das vítimas fatais, em território norte-americano o Ike obrigou a evacuação de 1,2 milhão no Texas, Estado onde também 4 milhões de pessoas ficaram sem luz, e interrompeu a produção de petróleo em refinarias.

INCÊNDIOS NA CALIFÓRNIA

  • AP

    Mais de 500 bombeiros foram mobilizados para combater o fogo


Incêndios na Califórnia
Em novembro, um incêndio de grandes proporções, fruto do tempo seco, clima quente e ventos com velocidades superiores a 100 km/h, se espalhou por grande parte do território do Estado norte-americano da Califórnia. Em uma semana, cerca de 800 residências, 100 edifícios e 18.000 hectares de terra foram destruídos pelo fogo.

A situação obrigou Arnold Schwarzenegger, governador da Califórnia, a declarar estado de emergência nas áreas mais prejudicadas para obter acesso a fundos de ajuda federais. O fogo atingiu desde regiões simples até bairros de altíssimo padrão, como Montecito, onde residem as celebridades Oprah Winfrey e Michael Douglas, entre outras.

Ciclone Nargis
Mais devastadora do que a ação dos furacões do Atlântico e do fogo na Califórnia foi a passagem do ciclone Nargis pelo sudeste asiático. Entre a última semana de abril e a primeira de maio, o Nargis atingiu com ventos de até 215km/h o Paquistão, Mianmar e Sri Lanka.

Mianmar: pescadores tentam
reconstruir a vida após Nargis


No Sri Lanka três pessoas morreram e no Paquistão não houve registro de fatalidades. A tragédia maior, no entanto, ocorreu em Mianmar, onde quase 78 mil pessoas morreram em decorrência da passagem do ciclone. Foi o pior desastre natural da história do país.

Tufão Fengshen
Entre os dias 18 e 25 de junho, o tufão, ou ciclone tropical Fengshen, atingiu as Filipinas e o sudeste da China, incluindo Hong Kong e Macau, com ventos de até 204 km/h. As inundações e os deslizamentos de terra causaram a morte de mais de 1300 pessoas, a imensa maioria nas Filipinas, onde um navio com mais de 850 pessoas a bordo virou, matando cerca de 800 pessoas.

TERREMOTO DE SICHUAN

  • Eugene Hoshiko / AP

    Sobrevivente do terremoto permanece em local devastado

Terremoto de Sichuan
Há menos de quatro meses dos Jogos Olímpicos de Pequim, no dia 12 de maio, um sismo de 8,0 graus na Escala Richter atingiu a província de Sichuan, no centro da China. O terremoto, que pôde ser percebido no Paquistão, Tailândia e Vietnã e nas distantes cidades de Xangai e Pequim, fez ao menos 85 mil mortos, deixou 358 mil feridos, causou prejuízos de aproximadamente US$ 73 bilhões e colocou em xeque a organização das Olimpíadas no país.

Acidentes aéreos
Em 21 de fevereiro, a aeronave ATR-42-300, da companhia portuguesa Santa Bárbara Airlines, se chocou com uma montanha de 4.200 metros de altitude nos andes venezuelanos, poucos minutos após ter decolado de Mérida com destino à Caracas. O acidente fez 46 vítimas fatais.

Em Madri, no dia 20 de agosto, um avião da Spanair teve problemas nos "flaps" - abas localizadas nas asas - durante o vôo JK 5022. A aeronave se acidentou há poucos metros do aeroporto de Barajas, causando a morte de 154 pessoas. Foi o acidente aéreo mais fatal do ano.

Apenas quatro dias depois, 68 dos 90 ocupantes de um Boeing-737 morreram em um acidente aéreo em Bishkek, capital do Quirguistão. Após a aeronave sofrer uma despressurização brutal, a tripulação tentou fazer um pouso de emergência em um campo próximo do aeroporto internacional de Manás, mas o avião acabou pegou fogo.

Em 14 de setembro, outro Boeing-737 se acidentou. Dessa vez a queda foi na Rússia, numa região próxima dos montes Urais. Na época, análises revelaram que a causa do acidente foi uma imperfeição do motor direito, que provocou um incêndio e, como conseqüência, a explosão e a destruição da nave. As 88 pessoas que estavam no vôo 821, de Moscou a Perm, morreram no acidente.

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