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15/01/2010 - 18h08

Cônsul diz que comentário sobre tragédia no Haiti foi mal entendido

Daniela Paixão
Do UOL Notícias
Em São Paulo
O cônsul-geral do Haiti em São Paulo, George Samuel Antoine, pediu desculpas e afirmou nesta sexta-feira (15) em entrevista coletiva que foi um "mal entendido" o comentário exibido ontem pelo "SBT Brasil", no qual afirma que a tragédia no Haiti é boa porque traz visibilidade ao país e atribui a culpa do terremoto à "macumba".


"A desgraça de lá está sendo uma boa pra gente aqui, fica conhecido. Acho que de, tanto mexer com macumba, não sei o que é aquilo... O africano em si tem maldição. Todo lugar que tem africano lá tá f...", disse o cônsul.

"O meu português não é muito bom. Eu interpretei de maneira errada, foi um erro meu na interpretação. Eu estou nervoso, sem dormir há dois dias, e fiz um comentário sem nenhuma maldade. Também não estou acostumado com toda essa movimentação e tanta gente ao meu lado o dia inteiro", alegou Antoine.

O cônsul disse ainda que a parte da entrevista exibida tratava-se de uma conversa com Roberto Marton, presidente do Conselho do Instituto Americano de Pesquisa, Medicina e Saúde Pública, quando os dois combinavam uma parceria para ajudar o Haiti. Além disso, disse que o trecho publicado fazia parte do contexto dessa conversa e que a entrevista já havia sido encerrada. Esse trecho, por si só, disse o cônsul, levou à interpretação errada e que a emissora quis prejudicá-lo.

Cônsul haitiano no Brasil culpa "macumba"

  • Sem saber que estava sendo gravado, o cônsul do Haiti no Brasil, George Samuel Antoine, afirma que o terremoto que atingiu o país nessa semana pode ter sido causado por "macumba" no SBT Brasil



"Os africanos têm em si uma maldição, mas que é no sentido de tudo o que eles passam na história deles", argumentou Antoine. Questionado sobre seu português, já que está no Brasil desde 1975, o cônsul alegou que ele piora em momentos de tensão. Por fim, disse que sua consciência está tranquila e que os haitianos que estão no Brasil já ligaram prestando solidariedade a ele, porque sabem que ele nunca faria um comentário contra aquela nação.

O consulado também divulgou nota na qual defende a atitude do cônsul e justifica as afirmações como fruto de má interpretação. Leia a íntegra a seguir:

NOTA OFICIAL DO CONSULADO GERAL DO HAITI EM SÃO PAULO

15 de janeiro de 2010

Diante do trágico acontecimento que atingiu o Haiti e que abalou o mundo, o Sr. cônsul George Samuel Antoine, no calor dos fatos e, principalmente por possuir centenas de parentes naquele país, sobre os quais tem poucas informações, sabendo que estão desaparecidos, provavelmente mortos, em comentário, teve seus dizeres interpretados de maneira deturpada.

Lamentamos profundamente o fato ocorrido, apresentado pelo SBT em 14 de janeiro, sendo que a divulgação de pequena parte da conversa levou a uma interpretação equivocada que ora se esclarece.

Vez que a frase expressada pelo senhor cônsul do Haiti em São Paulo, fazia parte do contexto de uma conversa que mantinha com um cidadão, que aparece na entrevista, o qual não é repórter e sim presidente do Conselho Do Instituto Americano De Pesquisa, Medicina E Saúde Pública, trata-se do Sr. Dr. Roberto Marton, e estava naquele momento disponibilizando uma ajuda humanitária, organizando recrutamento de voluntários profissionais da saúde.

O Dr. Roberto esteve naquele país meses atrás, com o próprio cônsul, assinando um protocolo de cooperação técnica na área de saúde da mulher. A dificuldade do Sr. cônsul na utilização da língua portuguesa, levou-o a um erro de expressão.

Na verdade, a intenção foi enfatizar que o trágico acontecimento no Haiti fez com que o mundo todo voltasse os olhos para os problemas do seu povo. Inclusive aqui no Brasil, possibilitando assim, maior ajuda humanitária para a reconstrução do país.

Nunca, teve a intenção de promoção pessoal, e sim, a intenção de difundir as dificuldades enfrentadas pela sua gente, que grande parte da população vive abaixo da linha da pobreza, sempre em busca de maior ajuda mundial.

O Sr. cônsul, nasceu em Porto Príncipe, possui familiares de origem africana, seu bisavô Philippe Guerrier, da raça negra, foi presidente do Haiti (1844/45); sendo que o Sr. Antoine veio para o Brasil, e em 1975, foi nomeado cônsul.

Esclarece, que em nenhuma oportunidade tomou atitude racista, tendo se expressado, tão somente, que os povos de origem africana são sofredores em várias regiões do mundo. O cônsul jamais criticou a religião africana, mantendo grande respeito por todos os tipos de crenças pela própria característica do seu país.

O cônsul-geral do Haiti em São Paulo pede desculpas a quem de alguma maneira tenha se sentido ofendido.

Consulado Geral AD.H. do Haiti em São Paulo

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