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01/03/2010 - 19h26

"Foi uma sensação terrível", conta brasileiro que vivenciou terremoto; para chileno, "o pior já passou"

Talita Boros
Do UOL Notícias
Em São Paulo

O chileno Fred Ponce, casado com uma brasileira de Salvador há três anos, estava em casa na capital Santiago, no 19º andar de um prédio, quando o terremoto de 8,8 graus atingiu o país no último sábado (27). Em entrevista ao UOL Notícias, ele contou o desespero da esposa quando os dois acordaram com um forte estrondo no meio da madrugada. “Ela levantou correndo dizendo que queria fugir e que precisava ligar para a mãe na Bahia”, relembrou.

Embora o casal morasse em um edifício novo, construído com materiais mais flexíveis, capazes de acompanhar o movimento dos tremores, Ponce relatou que o susto foi muito grande. “O terremoto foi muito forte e demorou a passar”, ressaltou.

O medo também foi narrado pelo gaúcho Andrigo Dorneles, que trabalha como chef de cozinha em Santiago há quatro anos. Ele contou que estava com um amigo do lado de fora da casa onde mora, no bairro de Providencia, quando o terremoto começou. “Eu tinha acabado de chegar do trabalho e, como o tempo estava bom, resolvemos sentar do lado de fora da casa. Quando percebemos o tremor meu amigo ficou desesperado e quis sair correndo. Tive trabalho para segurá-lo”, disse.

“O pior veio depois. Na escuridão e com as sirenes automáticas dos edifícios disparadas, o tumulto na rua era imenso. Muitas pessoas estavam chorando e assustadas. Foi uma sensação terrível”, relatou.

Destruição e saques
Segundo o chileno Ponce, os prédios mais antigos da capital ficaram muito danificados, e as casas mais populares, na periferia, foram as que mais sofreram avarias. Dorneles destacou que muitas igrejas, prédios públicos, universidades, passarelas e viadutos estão destruídos.

Para Ponce, agora que “o pior já passou”, o desafio é reestabelecer os serviços essenciais para evitar os saques. A distribuição de água, luz, gás e alimentação está cada vez mais escassa nas regiões mais afetadas.

Para tentar evitar roubos e arrastões nos locais mais afetados do país, o governo instituiu o toque de recolher a partir das 21h. Pelo menos uma pessoa morreu e 160 foram detidas por não respeitarem a ordem na madrugada.

Nesta segunda-feira, os saques se intensificaram na militarizada cidade chilena de Concepción –uma das mais atingidas do país. Um grupo de pessoas saqueou produtos de um supermercado e ateou fogo na loja, disse uma testemunha à agência Reuters. Os alimentos estão cada vez mais escassos na região. Vários tanques chegaram à cidade à tarde. A polícia lançou bombas de gás lacrimogêneo contra os saqueadores e os bombeiros tentavam chegar à área para controlar o incêndio.

Falta de infraestrutura
Devido à nova onda de saques hoje à tarde, a prefeita da cidade chilena de Concepción, Jaqueline Van Rysselberghe, criticou publicamente a falta de militares nas ruas para impedir a ação de saqueadores. Em entrevista à emissora Canal 13, Jaqueline disse que os saqueadores estão rondando bairros residenciais, onde violam caminhões-pipa. A cidade, uma das mais afetadas pelo terremoto do último sábado, enfrenta falta de água, comida e combustível.

O país também sofre com a falta de infraestrutura. O ministro da saúde, Alvaro Erazo, afirmou ao jornal "La Tercera" que pelo menos nove hospitais do país não têm condições de funcionar. Um desses hospitais, o Félix Bulnes, teve que ser evacuado devido à grande quantidade de destroços no local. Cerca de 30 pacientes foram transferidos para clínicas particulares após a destruição de hospitais públicos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) vai enviar um especialista em gestão de desastres ao Chile para cooperar com os trabalhos de reconstrução do país. Uma equipe com 80 profissionais de saúde foi colocada em alerta à espera apenas de uma solicitação oficial do governo para seguir até o país. Serão encaminhadas ainda estruturas para a montagem de hospitais de campanha, a servem enviadas por países vizinhos como Brasil e Argentina.

Outro setor que também enfrentam problemas é o de energia. O ministro de Energia chileno, Marcelo Tokman, disse ao "La Tercera" que há problemas na distribuição da energia para as residências e estabelecimentos comerciais. Algumas regiões ainda sofrem com a falta de luz. Na região de Valparaíso, pelo menos 70% dos serviços de água e luz já foram restabelecidos, de acordo com o governo chileno.

O terremoto deixou cerca de dois milhões de desabrigados. Pelo menos um milhão de imóveis ficou destruído ou danificado, e os danos em infraestruturas ainda não foram quantificados.

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