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01/03/2010 - 16h11

Prefeitura de Concepción pede mais militares nas ruas contra saqueadores; cidade chilena enfrenta falta de água, comida e combustível

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

A prefeita da cidade chilena de Concepción, Jaqueline Van Rysselberghe, afirmou nesta segunda-feira (1) que faltam militares nas ruas para impedir a ação de saqueadores. Em entrevista à emissora Canal 13, Jaqueline disse que os saqueadores estão rondando bairros residenciais, onde violam caminhões-pipa. A cidade, uma das mais afetadas pelo terremoto do último sábado, enfrenta falta de água, comida e combustível.

O número de mortos subiu para 723 pessoas em todo o Chile nesta segunda-feira. Pelo menos 19 pessoas estão desaparecidas.

Em Concepción, próximo do epicentro, um toque de recolher foi decretado de 21h às 06h desta segunda-feira. Foi o primeiro toque de recolher  no país desde o final da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990). A partir das 21h de hoje será decretado novo toque de recolher. Pouco antes desse anúncio, centenas de moradores de Concepción haviam saqueado lojas.

"Lá, onde eles pilharam ontem, não sobrou nada. Invadiram os supermercados e as farmácias. Eles pegaram medicamentos para revendê-los", contou uma vendedora de 55 anos, que pediu para não ser identificada. "A Prefeitura estabeleceu um local de distribuição de água em Biobio - a rádio local - para distribuir medicamentos e informações, mas precisamos de tudo, de pão, de leite..." acrescentou.

Durante a noite, uma pessoa foi morta a tiros por não respeitar o toque de recolher, mas, na manhã desta segunda-feira, a situação era de calma nas ruas de Concepción. Na saída da cidade, cerca de 200 motoristas faziam fila num posto de combustíveis para abastecer.

Reforços militares e policiais foram enviados para a segunda maior cidade do Chile, em razão do estado de exceção declarado no domingo pela presidente Michelle Bachelet nas regiões de Maule e Biobio, no dia seguinte ao sismo de magnitude de 8,8, que deixou 723 mortos, segundo o último registro.

"Eles têm água, comida, cobertores, mas a polícia não nos deixa entrar", protesta um homem diante de um supermercado de Concepción, invadido uma hora antes por moradores em busca de produtos de primeira necessidade, dois dias depois do terremoto no Chile.

"Seria bom se distribuíssem as coisas, ou se pelo menos nos vendessem", declarou Carmen Norin, de 42 anos, enquanto que a polícia cerca a entrada do prédio com os vidros quebrados.

Do alto de um balcão de uma padaria, um homem distribuía latas de leite para as pessoas que se acotovelavam. Ao lado, alguns dividiam sacos de farinha. E correram, em seguida, com a chegada de um caminhão equipado com jatos d'água, de um blindado e de duas viaturas de onde saíram dezenas de policiais equipados com capacetes, escudos, cassetetes e coletes a prova de balas.

Falta de infraestrutura

O Chile sofre com a falta de infraestrutura. O ministro da saúde, Alvaro Erazo, afirmou ao jornal "La Tercera" que pelo menos nove hospitais do país não têm condições de funcionar. Um desses hospitais, o Félix Bulnes, teve que ser evacuado devido à grande quantidade de destroços no local. Cerca de 30 pacientes foram transferidos para clínicas particulares após a destruição de hospitais públicos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) vai enviar um especialista em gestão de desastres ao Chile para cooperar com os trabalhos de reconstrução do país. Uma equipe com 80 profissionais de saúde foi colocada em alerta à espera apenas de uma solicitação oficial do governo para seguir até o país. Serão encaminhadas ainda estruturas para a montagem de hospitais de campanha, a servem enviadas por países vizinhos como Brasil e Argentina.

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Procuramos a Embaixada, mas tivemos dificuldades para ser atendidos - o Consulado também não nos deu suporte. Estamos aguardando orientação de uma diplomata que foi muito gentil e atenciosa. A situação do aeroporto de Santiago é catastrófica. (Ana Soares, de Santiago, Chile)

Outro setor que também enfrentam problemas é o de energia. O ministro de Energia chileno, Marcelo Tokman, disse ao "La Tercera" que há problemas na distribuição da energia para as residências e estabelecimentos comerciais. Algumas regiões ainda sofrem com a falta de luz. Na região de Valparaíso, pelo menos 70% dos serviços de água e luz já foram restabelecidos, de acordo com o governo chileno.

O terremoto deixou cerca de dois milhões de desabrigados. Pelo menos um milhão de imóveis ficou destruído ou danificado, e os danos em infraestruturas ainda não foram quantificados.

* Com informações das agências internacionais e do jornal chileno "La Tercera"

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