UOL Notícias Notícias
 

01/03/2010 - 17h04

Saques se intensificaram no Chile; alimentos estão cada vez mais escassos

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

Atualizada às 18h50

Os saques se intensificaram na tarde desta segunda-feira (1) na militarizada cidade chilena de Concepción, devastada por um forte terremoto no fim de semana. Um grupo de pessoas saqueou produtos de um supermercado e ateou fogo na loja, disse uma testemunha à agência Reuters. Os alimentos estão cada vez mais escassos na região. Vários tanques chegaram à cidade à tarde.

A polícia lançou bombas de gás lacrimogêneo contra os saqueadores e os bombeiros tentavam chegar à área para controlar o incêndio.

"Estes são sujeitos maus. Se veem que não há comida, para que incendeiam", disse uma senhora que fugia do local, comentando sobre saques anteriores ao supermercado.

Um forte terremoto de magnitude 8,8 sacudiu a região centro-sul do Chile na madrugada de sábado e causou a morte de mais de 700 pessoas.

Pelo menos uma pessoa morreu e 160 foram detidas por não respeitar o toque de recolher durante esta madrugada, anunciou o subsecretário do Interior, Patricio Rosende, nesta segunda-feira.

A morte pela violação ao toque de recolher ocorreu em Chiguayante, na periferia de Concepción. "Houve alguns disparos. A força policial tomou o controle dessa zona, houve uma morte, mas não houve saques contra imóveis comerciais ou residenciais", afirmou Rosende.

O toque de recolher de nove horas teve início às 21h locais (mesmo horário de Brasília) em Concepción, que fica 500 km ao sul de Santiago, uma das áreas mais afetadas pelo tremor e que no domingo vivenciou muitos saques a grandes lojas e supermercados.Um novo toque de recolher começará às 21h desta segunda-feira.

Devido à nova onda de saques hoje à tarde, a prefeita da cidade chilena de Concepción, Jaqueline Van Rysselberghe, criticou publicamente a falta de militares nas ruas para impedir a ação de saqueadores. Em entrevista à emissora Canal 13, Jaqueline disse que os saqueadores estão rondando bairros residenciais, onde violam caminhões-pipa. A cidade, uma das mais afetadas pelo terremoto do último sábado, enfrenta falta de água, comida e combustível.

"Lá, onde eles pilharam ontem, não sobrou nada. Invadiram os supermercados e as farmácias. Eles pegaram medicamentos para revendê-los", contou uma vendedora de 55 anos, que pediu para não ser identificada. "A Prefeitura estabeleceu um local de distribuição de água em Biobio - a rádio local - para distribuir medicamentos e informações, mas precisamos de tudo, de pão, de leite..." acrescentou.

"Eles têm água, comida, cobertores, mas a polícia não nos deixa entrar", protesta um homem diante de um supermercado de Concepción, invadido uma hora antes por moradores em busca de produtos de primeira necessidade, dois dias depois do terremoto no Chile.

"Seria bom se distribuíssem as coisas, ou se pelo menos nos vendessem", declarou Carmen Norin, de 42 anos, enquanto que a polícia cerca a entrada do prédio com os vidros quebrados.

Do alto de um balcão de uma padaria, um homem distribuía latas de leite para as pessoas que se acotovelavam. Ao lado, alguns dividiam sacos de farinha. E correram, em seguida, com a chegada de um caminhão equipado com jatos d'água, de um blindado e de duas viaturas de onde saíram dezenas de policiais equipados com capacetes, escudos, cassetetes e coletes a prova de balas.

Veja os depoimentos de brasileiros presos no Chile

Procuramos a Embaixada, mas tivemos dificuldades para ser atendidos - o Consulado também não nos deu suporte. Estamos aguardando orientação de uma diplomata que foi muito gentil e atenciosa. A situação do aeroporto de Santiago é catastrófica. (Ana Soares, de Santiago, Chile)

Falta de infraestrutura

O Chile sofre com a falta de infraestrutura. O ministro da saúde, Alvaro Erazo, afirmou ao jornal "La Tercera" que pelo menos nove hospitais do país não têm condições de funcionar. Um desses hospitais, o Félix Bulnes, teve que ser evacuado devido à grande quantidade de destroços no local. Cerca de 30 pacientes foram transferidos para clínicas particulares após a destruição de hospitais públicos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) vai enviar um especialista em gestão de desastres ao Chile para cooperar com os trabalhos de reconstrução do país. Uma equipe com 80 profissionais de saúde foi colocada em alerta à espera apenas de uma solicitação oficial do governo para seguir até o país. Serão encaminhadas ainda estruturas para a montagem de hospitais de campanha, a servem enviadas por países vizinhos como Brasil e Argentina.

Outro setor que também enfrentam problemas é o de energia. O ministro de Energia chileno, Marcelo Tokman, disse ao "La Tercera" que há problemas na distribuição da energia para as residências e estabelecimentos comerciais. Algumas regiões ainda sofrem com a falta de luz. Na região de Valparaíso, pelo menos 70% dos serviços de água e luz já foram restabelecidos, de acordo com o governo chileno.

O terremoto deixou cerca de dois milhões de desabrigados. Pelo menos um milhão de imóveis ficou destruído ou danificado, e os danos em infraestruturas ainda não foram quantificados.

* Com informações das agências internacionais

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,45
    3,141
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,39
    64.684,18
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host